Nos últimos anos, têm se intensificado debates acerca dos efeitos do aquecimento global. Mas não se trata apenas de discutir eventos extremos como ondas de calor, enchentes, secas e queimadas. Há um ponto que merece atenção de empregadores, empregados, sindicatos, confederações, centrais sindicais e governo: os impactos das mudanças climáticas sobre o conforto térmico dos trabalhadores.
Estudos técnicos desenvolvidos por pesquisadores de diversos cantos do mundo apontam o crescimento médio da temperatura e isso repercute nas relações de trabalho pela necessidade de cuidados com a saúde e a segurança dos trabalhadores, especialmente (mas, não apenas) daqueles que desenvolvem atividades a céu aberto, em propriedades rurais, na limpeza urbana, no transporte e na construção civil, por exemplos.
Ambiente de trabalho com desconforto térmico (temperatura excessivamente alta ou exageradamente baixa) compromete não apenas o bem-estar no local, mas a própria saúde, a concentração e até a produtividade do trabalhador. Isso exige olhar atento de empregadores e da administração pública (em relação àqueles que lhe prestam serviços, seja como servidores concursados, terceirizados ou temporários) às adaptações necessárias tanto à climatização dos ambientes laborais quanto acerca dos padrões de uniformes/vestimentas (tecidos) utilizados.
A questão abrange, inclusive, situações em que empresas (e, consequentemente, postos de trabalhos) podem ser fechadas em razão de tragédias socioambientais ou da necessidade de deslocamento de populações. A Constituição Federal de 1988 e a Consolidação das Leis do Trabalho-CLT preveem o direito dos trabalhadores à redução dos riscos inerentes à saúde e à segurança no ambiente de trabalho, o que passa pelo controle de temperatura (dentro dos limites de tolerância), umidade e ventilação (natural ou artificial) nos espaços corporativos (públicos e privados).
Para que os parâmetros adotados se mostrem adequados e evitem prejuízos (fadiga, desidratação, irritabilidade, rigidez muscular, desconforto respiratório etc), é preciso que eles se ajustem às mudanças climáticas. Até mesmo a Federação Internacional de Futebol (FIFA) instituiu, a partir da Copa de 2026, pausas obrigatórias de 3 minutos para hidratação dos jogadores aos 22 minutos de cada tempo em todos os jogos.
Trabalho e conforto térmico