Nos últimos dias, as sirenes de alerta em Israel se tornaram uma constante, forçando os moradores a buscar abrigo várias vezes ao dia. O repórter Carlos de Lannoy relata sua experiência angustiante ao ouvir um desses alarmes logo após chegar a uma área afetada: “Alerta! Caramba, alerta!”. Em uma corrida desesperada, ele questiona: “Tem abrigo? Proteção?”. Com um aplicativo da Defesa Civil que calcula o tempo até a chegada de um míssil – que pode ser de apenas um minuto e meio – a tensão é palpável.
Desde o fim de fevereiro, cerca de 500 mísseis foram lançados pelo Irã em direção a Israel, e o país desenvolveu um sistema de defesa em camadas que intercepta quase 90% dos ataques. O professor Ronaldo Carmona, da Escola Superior de Guerra, explica que o sistema inclui o Domo de Ferro, o Estilingue de David e outros métodos de defesa. Apesar da eficácia desse sistema, ainda ocorrem falhas, especialmente com mísseis de fragmentação, que já resultaram na morte de várias pessoas.
Yiad, um pai de família, descreve o terror de um ataque que atingiu seu carro logo após sua esposa e filho entrarem em um prédio, ressaltando a importância dos abrigos. Apesar da grave situação, a vida cotidiana continua. Em Jerusalém, um hotel lotado por conta da Páscoa judaica teve que ser esvaziado duas vezes devido aos alarmes. “Para as crianças, é como um jogo”, observa uma mãe. Outra moradora expressa sua adaptação à rotina de guerra: “Não me preocupo com as bombas, temos abrigos. Estou acostumada”.
A rotina em Tel Aviv é semelhante, onde as pessoas tentam seguir suas vidas até que um alerta interrompe suas atividades. Os abrigos, equipados com portas de aço e filtros de ar, oferecem uma sensação de segurança. Yafit, uma residente com ascendência iraniana, compartilha que já fez amizades entre os ocupantes do abrigo, destacando a solidariedade entre diferentes comunidades.
Durante a madrugada, novos alarmes soam e um mapa no bunker exibe os mísseis lançados em direção ao país. Um morador reflete sobre a necessidade de se proteger contra ameaças nucleares de regimes não democráticos, mas também expressa seu desejo por paz, lembrando que muitas pessoas na região anseiam por um futuro melhor.
As consequências dos ataques são visíveis, como em Ramat Gan, onde um míssil atingiu uma rua enquanto o repórter estava no abrigo. A resposta das autoridades é rápida, e em menos de uma hora, a área é limpa e a vida recomeça. Embora as autoridades admitam que o país está se preparando para um cenário de guerra prolongada, o comandante da Defesa Civil, David Ram, resume a situação: “Normal, nunca. O objetivo é apenas viver o melhor possível [em meio à guerra]”.