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Quase 80% das micro e pequenas empresas do Rio Grande do Sul não se sentem preparadas para eventos climáticos extremos

Uma pesquisa realizada com mais de 300 empreendedores do Rio Grande do Sul revela que 77% das micro e pequenas empresas (MPEs) no estado não se consideram totalmente preparadas para enfrentar eventos climáticos extremos, como enchentes, secas, queimadas e ondas de calor. O levantamento, conduzido pelo Fundo de Impacto Estímulo durante a primeira fase do programa, evidencia a vulnerabilidade do segmento diante de fenômenos que vêm se intensificando e impactando diretamente a operação, logística e faturamento dessas organizações.

Os dados indicam ainda que 93% dos empresários entrevistados manifestaram interesse em obter crédito para implementar medidas de proteção e resiliência diante de futuras adversidades climáticas. A iniciativa, denominada Fundo Retomada RS, foi criada em parceria com entidades de peso como a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS), a Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (FEDERASUL) e o Sebrae RS, com o objetivo de facilitar o acesso ao crédito produtivo em um momento marcado por chuvas intensas e desastres naturais que afetaram o estado em 2024.

A primeira fase do fundo resultou na disponibilização de R$ 68 milhões, beneficiando aproximadamente 1.000 empreendedores distribuídos em 142 cidades gaúchas, além de gerar impacto positivo em mais de 12 mil empregos. Os recursos foram destinados a fomentar a recuperação e a resiliência das pequenas empresas, com destaque para a inclusão financeira, já que 30% do crédito foi direcionado a negócios liderados por mulheres e 35% a empreendedores que nunca haviam acessado crédito formal anteriormente.

Em resposta aos resultados iniciais, a segunda fase do Fundo Retomada RS foi anunciada, com a liberação de mais R$ 30 milhões para fortalecer a capacidade de resistência das micro e pequenas empresas às mudanças climáticas. Desses recursos, R$ 5 milhões vieram do Instituto Helda Gerdau, liderado por Beatriz Johannpeter, que promove ações de transformação social, e R$ 1 milhão da família Nestor de Paula, fundadora da marca Azaleia.

Segundo Lucas Conrado, CEO do Fundo de Impacto Estímulo, a preparação do pequeno empreendedor para eventos climáticos extremos deve começar muito antes de uma tragédia acontecer. Ele destaca a importância de práticas como manutenção preventiva, proteção de estoques e equipamentos, diversificação de fornecedores, planejamento financeiro e estratégias para garantir a continuidade do negócio mesmo diante de desastres. Para Conrado, o acesso ao crédito orientado deve ser visto não apenas como uma ferramenta de reconstrução, mas também como uma medida preventiva.

Apesar dos avanços, a recuperação ainda está incompleta e a demanda por capital de giro e investimentos em proteção continua elevada. Muitas empresas que sofreram impactos diretos das enchentes implementaram melhorias estruturais, mas ainda carecem de defesas financeiras, como reservas e seguros, que poderiam mitigar os efeitos de futuras calamidades. A pesquisa aponta que há um apetite quase unânime por linhas de crédito voltadas à resiliência climática, acompanhadas de acompanhamento técnico para garantir a efetividade das ações.

Os resultados até o momento demonstram que todas as empresas que receberam crédito do Fundo Estímulo tiveram evolução nos seus negócios após o apoio, embora não seja possível determinar o quanto dessa melhora foi diretamente causada pelo acesso ao crédito. A continuidade da demanda por recursos e suporte técnico reforça a necessidade de ações permanentes para fortalecer a capacidade de enfrentamento às mudanças climáticas por parte das micro e pequenas empresas no Rio Grande do Sul.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade