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Taxa de desemprego nos EUA alcança maior índice em quatro anos, desafiando a pausa nos juros

•Foto: Reuters/Mike Blake

Os Estados Unidos conseguiram manter a criação de empregos mesmo durante o período de shutdown mais longo de sua história. No entanto, a taxa de desemprego subiu em novembro, atingindo o maior índice em mais de quatro anos, o que coloca em xeque a recente pausa nas taxas de juros anunciada pelo Federal Reserve na semana anterior.

Durante o mês de novembro, foram gerados 64 mil novos postos de trabalho, superando a expectativa média de 50 mil conforme indicado pelo Projeções Broadcast. No entanto, em outubro, houve a eliminação de 105 mil empregos, e as revisões para baixo nos dados de setembro e agosto também foram significativas. De acordo com o Bureau of Labor Statistics (BLS), o panorama do emprego nos EUA mostra sinais de estagnação.

O impacto negativo mais acentuado veio do setor público, onde o presidente Donald Trump reduziu a força de trabalho federal ao menor nível em mais de dez anos. Apenas em outubro, 162 mil empregos foram cortados, e em novembro mais 6 mil, totalizando 271 mil cortes desde janeiro.

Em contrapartida, o setor privado apresentou um desempenho mais otimista, conforme apontam analistas, ao excluírem as demissões no setor público.

A taxa de desemprego subiu para 4,6% em novembro, um aumento em relação aos 4,4% registrados em setembro, marcando o patamar mais alto em mais de quatro anos, quando o mercado esperava estabilidade nesse indicador.

Em Wall Street, a perspectiva é de que os números consolidados de outubro e novembro possam contrariar as previsões de uma manutenção prolongada das taxas de juros nos EUA. “Os dados do mercado de trabalho não são encorajadores e podem antecipar uma ação do Fed em 2026”, afirma Ali Jaffery, economista do CIBC Economics, que agora projeta dois cortes de juros no próximo ano, em vez de um.

Na semana anterior, Jerome Powell, presidente do Fed, mencionou que o Comitê Federal de Mercado Aberto decidiu por um corte de 25 pontos-base na reunião de dezembro, pois a desaceleração do mercado de trabalho estava ocorrendo de maneira mais gradual do que o esperado. Desde abril, a média de criação de empregos nos EUA foi de 40 mil por mês, mas com uma superestimação de cerca de 60 mil, resultando em uma perda real de 20 mil empregos mensais.

O economista Dario Perkins, da TS Lombard, destacou que o relatório de empregos não trouxe mudanças significativas, especialmente considerando que o BLS alertou sobre a menor confiabilidade dos dados recentes. Embora o Fed possa considerar um corte de juros em janeiro, “a situação não parece particularmente urgente”, avalia.

O BLS também advertiu que não é possível quantificar com precisão o impacto total do shutdown nas estimativas de emprego para outubro e novembro. Com dados divergentes sobre o mercado de trabalho, aumentaram as expectativas de que o Fed poderá reduzir as taxas na reunião de janeiro de 2026, embora as chances de manutenção ainda sejam prevalentes.

A Capital Economics acredita que, se a taxa de desemprego se estabilizar nos próximos meses, o Fed pode não se preocupar excessivamente com o índice alcançado em novembro. O estrategista sênior de investimentos da Charles Schwab, Kevin Gordon, ressalta que a taxa de desemprego nos EUA subiu 1,2 ponto percentual desde seu mínimo em 30 meses. “Nunca vimos um aumento dessa magnitude sem que a economia já estivesse em recessão”, acrescenta.

A Pimco, que administra mais de US$ 2 trilhões em ativos, considerou os dados do payroll como “mistos”, mas alinhados com suas expectativas, portanto, não pretende alterar seu cenário base. A Oxford Economics também acredita que o Fed manterá sua postura cautelosa em relação à política monetária. “Uma economia com crescimento resiliente e um mercado de trabalho estável pode receber novos estímulos, previstos para o primeiro semestre de 2026”, afirma Tiffany Wilding, economista da Pimco, referindo-se a um impacto reduzido das tarifas e cortes de impostos.

O presidente interino do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca, Pierre Yared, minimizou as preocupações sobre o aumento da taxa de desemprego em uma entrevista à Bloomberg TV, enquanto Kevin Hassett, conselheiro econômico da Casa Branca e um possível candidato à presidência do Fed, afirmou que há “muito espaço” para cortes nas taxas de juros.

O Bradesco acredita que somente após a divulgação dos dados de dezembro será possível fazer uma avaliação mais precisa da situação laboral na maior economia do mundo. “Com os dados atuais, a tendência é que o Fed mantenha uma postura dovish”, conclui o banco em comunicado aos clientes. O próximo relatório de empregos será divulgado no dia 9 de janeiro de 2026, às 10h30 de Brasília.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade