Nesta quinta-feira (18), a Corte de Apelação de Roma, na Itália, decidiu adiar pela terceira vez o julgamento referente à extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli para o Brasil. A prorrogação atendeu a um pedido apresentado pela defesa da ex-parlamentar, e a nova data para a deliberação foi estabelecida para 20 de janeiro.
A estratégia de Zambelli e de seus apoiadores inclui renunciar ao cargo, com o objetivo de conseguir a liberdade provisória e, a partir daí, tentar reverter a solicitação de extradição ao Brasil. A renúncia, juntamente com a rejeição da cassação de seu mandato pela Câmara dos Deputados, reforçaria a alegação de que ela está sendo alvo de uma perseguição política.
Na audiência programada para esta quinta-feira, os juízes iriam ouvir os argumentos da defesa e analisar os documentos enviados na semana anterior pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, à Justiça italiana. Se a extradição for aprovada, Zambelli deverá cumprir pena na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia.
Essa audiência já havia sido agendada para o dia 4 deste mês, mas foi adiada. Anteriormente, estava prevista para novembro, mas também foi postergada devido a uma greve no Judiciário italiano.
A favor da extradição, o Ministério Público da Itália emitiu um parecer positivo em outubro, considerando as condenações que Zambelli recebeu do STF. A ex-deputada deixou o Brasil logo após a determinação de sua prisão pelo STF, em junho.
Zambelli foi condenada em duas ocasiões pela Corte. Na primeira, foi sentenciada a dez anos de prisão por invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e falsidade ideológica, em colaboração com o hacker Walter Delgatti Neto, que alegou ter sido contratado por ela para inserir documentos falsos no sistema do CNJ, incluindo um mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.
Após essa condenação, a então parlamentar fugiu do País e acabou presa na Itália, em uma operação conjunta da Polícia Federal e autoridades italianas. Em sua segunda condenação, o STF impôs uma pena de cinco anos e três meses em regime semiaberto, pelos crimes de porte ilegal de arma e constrangimento ilegal, resultando na perda de seu mandato após o trânsito em julgado.