O deputado federal Alexandre Ramagem, do PL do Rio de Janeiro, saiu do Brasil em setembro, utilizando um veículo para entrar clandestinamente na Guiana a partir de Roraima. De acordo com informações da Polícia Federal, ele cruzou a fronteira terrestre entre os dois países e seguiu até Georgetown, a capital guianense, de onde embarcou em um voo para os Estados Unidos.
Ramagem, que já foi delegado da PF em Roraima, foi sentenciado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a mais de 16 anos de reclusão por envolvimento em organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e tentativa de golpe de Estado, em decorrência dos eventos ocorridos em 8 de janeiro.
O deputado é casado com Rebeca Teixeira Ramagem Rodrigues, procuradora de Roraima, que está de licença do cargo até 19 de dezembro, conforme informações do governo local. Sua fuga se deu no mesmo mês em que foi julgado pela Primeira Turma do STF, juntamente com outros membros do núcleo central da tentativa de golpe. A defesa de Ramagem alega sua inocência, afirmando que as acusações carecem de provas materiais.
A Polícia Federal informou que a fuga de Ramagem contou com a ajuda de Celso Rodrigo de Mello, um empresário de 27 anos, filho do conhecido garimpeiro Rodrigo Martins de Mello, também chamado de Rodrigo Cataratas, amigo de Ramagem. Celso foi detido no último sábado (13) em Manaus, sob suspeita de financiar e prestar apoio logístico à fuga do deputado para os Estados Unidos, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, que é o relator do caso no STF. A defesa de Celso nega as acusações e afirma que qualquer conclusão antecipada não reflete a realidade dos fatos.
Na segunda-feira (15), Moraes determinou que a Secretaria Judiciária do STF inicie o processo de extradição de Ramagem dos Estados Unidos para o Brasil. Os documentos necessários serão enviados ao Ministério da Justiça, que terá a responsabilidade de verificar os requisitos legais do tratado de extradição entre os dois países e preparar o pedido. Em seguida, cabe ao Ministério das Relações Exteriores formalizar a solicitação de extradição ao governo americano.