Alencar da Silveira Jr., recém-nomeado conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), revelou que uma de suas principais decepções após quase quarenta anos de carreira pública é a falta de progresso na discussão sobre a legalização do jogo do bicho. Em uma conversa com a jornalista e colunista política da Itatiaia, Bertha Maakaroun, o ex-deputado estadual argumentou a favor da regulamentação deste tipo de aposta.
Ao ser questionado sobre as críticas que recebeu durante seus oito mandatos na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) em relação à sua conexão com o jogo do bicho, Alencar defendeu-se afirmando que nunca atuou diretamente na loteria clandestina, mas que tem conhecimento dos envolvidos na contravenção e sempre trabalhou publicamente pela legalização da atividade.
“Uma das minhas frustrações na vida pública é não ter conseguido viabilizar a legalização do jogo no Brasil. Comecei em um programa de rádio, a primeira emissora onde trabalhei foi a Itatiaia, e meu pai trouxe o programa ‘Num poste de rua’, que teve que ser interrompido devido à proibição. Depois voltamos e alcançamos a maior audiência do rádio mineiro […] Sempre lutei pela legalização do jogo. Nunca fui banqueiro, nunca fui cambista. Meu pai também não, ele é jornalista e radialista, sempre viveu do rádio e com a intenção de promover a legalização”, afirmou Alencar na entrevista exibida nesta segunda-feira (15).
Ele também mencionou um programa iniciado por seu pai na década de 1950, que, entre outras atrações, anunciava os resultados dos sorteios das bancas do jogo do bicho em Minas Gerais. O jogo do bicho, criado no final do século XIX pelo Barão João Batista Viana Drummond, surgiu como uma maneira de arrecadar fundos para o zoológico do Rio de Janeiro, que enfrentava dificuldades financeiras. Essa modalidade de loteria foi classificada como contravenção na década de 1940, durante o período da ditadura do Estado Novo, liderada por Getúlio Vargas.
Na mesma entrevista à Itatiaia, Alencar reiterou sua posição favorável à legalização do jogo como uma estratégia para aumentar a arrecadação fiscal e assegurar direitos aos trabalhadores da área. “Sempre lutei pela legalização, para que o cambista seja reconhecido como o trabalhador que é, para que o banqueiro pague impostos e ofereça melhores condições para os profissionais do jogo do bicho”, concluiu.
Alencar ingressa no TCE-MG após 37 anos ocupando cargos eletivos. Em 1988, ele se tornou o vereador mais jovem da história de Belo Horizonte. Em 1994, iniciou sua trajetória como deputado estadual na Assembleia Legislativa, sendo reeleito em todas as eleições subsequentes. Desde 2009, o ex-parlamentar também ocupou, em diversas funções, cargos na diretoria do América Futebol Clube.