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Textor discute o futuro da SAF e aponta ‘desmotivação’ no elenco do Botafogo

Thiago Ribeiro/AGIF/AGIF via AFP

Em meio a uma disputa judicial pelo controle do futebol do Botafogo, John Textor abordou novamente o futuro da SAF do clube durante uma entrevista ao “UOL”. O empresário norte-americano assegurou que o Botafogo está “financeiramente saudável”, mas não descartou a possibilidade de o clube carioca se desvincular da Eagle Holding Football, a rede multiclubes que ele fundou.

“É importante que as pessoas compreendam que o Botafogo, enquanto instituição, tem apresentado um desempenho financeiro positivo. Nossa receita cresceu de US$ 20 milhões, quando iniciamos em 2022, para mais de US$ 200 milhões este ano, possivelmente chegando a US$ 240 milhões. O fluxo de caixa operacional e o lucro operacional da organização também são muito elevados. No entanto, a disputa visível nos tribunais se refere à autorização para novas formas de captação de recursos, o que gerou confusão”, explicou Textor.

“Meu objetivo é que a Eagle mantenha sua unidade no ecossistema atual, pois essa estrutura multiclubes tem sido extremamente benéfica para o Botafogo. Contudo, enfrentamos algumas dificuldades internas entre nossos acionistas devido aos desafios que surgem em diversas partes do mundo. Já consideramos a possibilidade de um divórcio, onde eu compraria o Botafogo dos sócios e o retiraria da Eagle, mas também estamos explorando melhores alternativas para permanecermos juntos”, acrescentou.

Em 2022, a Eagle Holding Football adquiriu 90% das ações da SAF do Botafogo, integrando-o à “Família Eagle”, que também inclui clubes como Crystal Palace na Inglaterra, Molenbeek na Bélgica e Lyon na França. O intuito de Textor era estabelecer uma colaboração entre os clubes, abrangendo troca de dados, processos, transferências de jogadores e a adoção de um “caixa único”.

Embora Textor tenha afirmado que a disputa pelo controle da SAF do Botafogo “está finalizada”, as movimentações nos bastidores continuam. Recentemente, João Paulo Magalhães Lins, presidente associativo, se reuniu com dirigentes da Eagle Holding Football, que havia rompido com Textor devido aos acontecimentos relacionados ao Lyon. Essa aproximação de João Paulo com a Eagle indica uma mudança na postura do clube associativo, que, apesar de deter 10% das ações da SAF, precisa autorizar alterações significativas. Até então, o presidente havia demonstrado apoio a Textor.

No dia 29 de setembro, uma reunião do Conselho Deliberativo do Botafogo foi suspensa devido à ausência de respostas por parte de um representante da SAF. Além disso, Durcesio Mello, que era o mandatário na época da assinatura da SAF e atuava como “braço-direito” de Textor, não esteve presente, levando à remarcação da reunião para a próxima terça-feira, 14 de outubro.

A crise no Botafogo não se restringiu à sua administração. Em 2025, o clube não atendeu às expectativas após uma temporada histórica em 2024. Um dos principais fatores foi a escolha do sucessor de Artur Jorge, que deixou o cargo em janeiro. Após conquistar a Libertadores e o Brasileirão, o técnico se transferiu para o Catar, e a decisão sobre o novo treinador demorou mais de 50 dias. Na ocasião, Textor afirmou que “não havia pressa”. A escolha recaiu sobre Renato Paiva, que permaneceu menos de quatro meses na função. Textor comentou que houve várias recusas de outros candidatos.

“Não consegui convencer ninguém a embarcar no projeto. Muitas recusas ocorreram, de Tite a Tata Martino e Rafa Benítez. O primeiro a aceitar foi André Jardine, que desejava retornar ao Brasil, mas acabou ficando em sua posição no México”, detalhou Textor.

As mudanças no elenco também foram drásticas, com mais de 20 jogadores saindo e chegando. O time que conquistou os títulos foi praticamente reestruturado. “Muitos dos jogadores que você admira do ano do título estão buscando novas oportunidades. Eles dizem: ‘Eu já fiz tudo o que podia aqui no Brasil, no Botafogo. Estou no final da minha carreira, preciso garantir um futuro no Catar ou tentar uma última chance na Europa. Dei tudo pelo Botafogo, ganhei um campeonato e agora preciso cuidar da minha família’”, afirmou Textor, que também mencionou a “falta de motivação” do atual elenco.

“Há uma desmotivação, uma falta de energia. Muitos dos jogadores que conquistaram o título estão apresentando um desempenho abaixo do que mostraram um ano atrás. Se analisarmos os números, eles estão correndo a apenas 85% do que corriam quando vencemos o campeonato. A motivação de todos caiu”, concluiu.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade