O lateral-esquerdo Renan Lodi desembarcou em Belo Horizonte na manhã desta sexta-feira (26/12) para passar por exames médicos e formalizar sua contratação com o Atlético. No entanto, a controvérsia em torno de sua saída do Al-Hilal, da Arábia Saudita, promete gerar discussões nos próximos dias.
Para deixar o Al-Hilal, Lodi solicitou a rescisão unilateral do contrato na Justiça, o que lhe permitiu ficar livre no mercado. O jogador não entra em campo desde julho de 2025, quando seu time foi eliminado pelo Fluminense no Mundial de Clubes, e não foi inscrito no torneio nacional desde então.
Em uma entrevista exclusiva ao O TEMPO Sports, o advogado Guilherme Alarico, especialista em Direito Desportivo, comentou que a situação de Renan Lodi se baseia no artigo 15 do RSTP, que é o regulamento de transferências da FIFA. “Esse artigo é inspirado na Declaração Universal dos Direitos Humanos, que garante a todos o direito ao livre exercício do trabalho. No entanto, é um tema complexo, pois menciona que um jogador que participar de menos de 10% das partidas em que sua equipe está inscrita pode rescindir seu contrato unilateralmente. Essa complexidade envolve também aspectos como a situação dos goleiros, questões físicas e disciplinares”, explicou.
Alarico esclareceu que o regulamento permite a rescisão do contrato 15 dias após a última partida da equipe na competição, mas Lodi decidiu rescindir antes, já que avaliou que não conseguiria atingir a marca de 10% de jogos na temporada, uma vez que foi inscrito no Campeonato Saudita.
“O processo ainda está em andamento na FIFA, mas não acredito que o contrato será reativado. Haverá uma análise para determinar as responsabilidades, resultando em uma sanção pecuniária (uma compensação financeira para a parte prejudicada). Portanto, a indenização será financeira, e não vejo o Atlético como responsável nessa situação, já que a rescisão ocorreu no final de agosto e a contratação está sendo feita agora, no final de dezembro ou início de janeiro. O intervalo entre os eventos foi considerável”, continuou.
“Não vejo o Atlético como corresponsável. Mesmo clubes que se envolvem em situações semelhantes frequentemente se tornam réus nos processos. Este caso é muito específico, e acredito que o Atlético não será parte desse processo. Além disso, o clube possui um departamento jurídico competente que, sem dúvida, tomou as medidas necessárias para proteger seus interesses”, completou.
Ao chegar a Belo Horizonte, Renan Lodi se mostrou confiante em relação ao seu vínculo anterior, apesar das ameaças do Al-Hilal de recorrer a ações legais para tentar reverter a rescisão. “Estou tranquilo com isso. Meus advogados estão cientes da importância do processo. Minha única preocupação agora é jogar, treinar e deixar o restante nas mãos deles”, declarou o lateral.
No Atlético, Lodi chega como um possível substituto para Guilherme Arana, um ídolo e titular da posição, que está em negociações com o Fluminense e pode não continuar no clube. Juninho Capixaba, do Red Bull Bragantino, é outro lateral-esquerdo que pode se juntar ao elenco do Galo nas próximas semanas.
Revelado pelo Athletico-PR, Lodi foi transferido para o Atlético de Madrid em 2022, mas não conseguiu se firmar na equipe espanhola e foi emprestado ao Nottingham Forest, da Inglaterra. Após uma breve passagem pelo clube inglês, o lateral foi vendido ao Olympique de Marselha.
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