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Reajuste salarial real no setor privado fica em 0,99% no terceiro trimestre, aponta Banco Central

•José Cruz/Agência Brasil

O Banco Central divulgou que os reajustes salariais reais médios no setor privado ficaram em 0,99% no período de julho a setembro deste ano. Os dados, que consideram o critério de registro das convenções coletivas de trabalho (CCTs) no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), revelam uma melhora em relação ao mesmo período do ano passado, quando o índice ficou em 0,71%. Essas informações fazem parte de uma análise que utiliza a média simples dos reajustes ao longo dos três meses, oferecendo uma visão geral do comportamento salarial na iniciativa privada.

Segundo o Banco Central, a parcela das negociações salariais que superaram a inflação passada atingiu 84,45% no trimestre de julho a setembro de 2026, o que indica uma alta na proporção de acordos que garantiram reajustes acima do índice de preços. Em valores nominais, ou seja, sem ajuste pela inflação, o reajuste médio foi de 5,12% nesse período, ficando abaixo dos 5,83% registrados no mesmo intervalo do ano anterior. Esses números refletem o esforço de negociações coletivas para manter ou ampliar o poder de compra dos trabalhadores, apesar de o reajuste nominal ter apresentado uma redução em comparação ao período anterior.

Além disso, o Banco Central também compilou dados considerando o critério de data de vigência dos reajustes pactuados nas convenções coletivas, que apresentam uma ligeira variação nos resultados. Nesse critério, os reajustes reais médios ficaram em 1,01%, um aumento em relação aos 0,61% observados no mesmo período do ano passado. A parcela das negociações que superaram a inflação nesse critério foi de 88,58%, indicando uma tendência de acordos que buscam superar a inflação passada de forma mais expressiva. Em termos nominais, o reajuste médio foi de 5,19%, também abaixo dos 5,76% do mesmo período de 2025.

O Banco Central anunciou, em setembro, que começaria a divulgar mensalmente indicadores de reajustes salariais baseados em convenções coletivas, utilizando dois critérios distintos: a data de registro das convenções no MTE e a data de vigência dos reajustes. Essa distinção é importante porque muitas categorias negociam e assinam suas convenções após a data-base, atribuindo vigência retroativa às mesmas, o que pode gerar diferenças nos indicadores. Assim, os dados por vigência refletem as convenções de forma gradual, incorporando as negociações à medida que são registradas, o que pode levar a revisões nos números nos primeiros meses após as negociações. Já os indicadores por data de registro concentram-se em convenções já registradas, sem revisões futuras, embora possam apresentar maior dispersão devido às diferentes vigências.

Essas informações reforçam o cenário de recuperação salarial no setor privado, ainda que os reajustes nominais tenham permanecido abaixo da inflação, e evidenciam o esforço das negociações coletivas para garantir reajustes acima da inflação passada, mesmo em um contexto de ajustes moderados.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade