O custo de vida na Região Metropolitana de São Paulo apresentou uma ligeira diminuição de 0,04% em agosto, impulsionada principalmente pela redução nos preços de energia elétrica e combustíveis, de acordo com a pesquisa CVCS (Custo de Vida por Classe Social), realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). Este levantamento revela que as classes sociais D e E tiveram as maiores quedas, de 0,14% e 0,07%, respectivamente, enquanto as classes A e B registraram estabilidade, com variação de apenas 0,01%.
A diminuição no custo de vida foi fortemente influenciada pela redução nos preços de itens essenciais, especialmente energia elétrica e combustíveis, que representam uma parcela significativa do orçamento das famílias de menor renda. A tarifa de energia elétrica recuou 7,42% em agosto, refletindo um benefício temporário concedido pela usina binacional Itaipu, que disponibilizou um bônus de fornecimento de energia. No entanto, especialistas alertam que essa redução pode não se manter nos próximos meses, uma vez que o benefício é de caráter temporário. Além da energia, os preços do etanol caíram 4,6%, enquanto a gasolina teve uma redução de 1,2%.
Além dos combustíveis, a pesquisa também apontou uma diminuição nos preços dos alimentos, o que contribuiu para aliviar o orçamento das famílias na região metropolitana de São Paulo. Essa redução nos preços de alimentos e energia elétrica, embora tenha proporcionado um alívio momentâneo, não eliminou a alta acumulada no último ano. As classes D e E, que tiveram a maior queda mensal, ainda acumulam altas de 5,39% e 5,31% no período de 12 meses, respectivamente. Esses índices permanecem superiores aos registrados pelas classes A (4,41%) e B (4,18%), indicando que o aumento no custo de vida para os segmentos de menor renda continua mais expressivo.
O estudo realizado pela FecomercioSP utiliza o Índice de Preços de Serviços (IPS) e o Índice de Preços do Varejo (IPV), ambos compostos por dados provenientes da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A análise abrange todas as cinco faixas de renda familiar — A, B, C, D e E — e contempla 247 itens de consumo, buscando oferecer uma visão detalhada sobre os efeitos da inflação na região metropolitana de São Paulo.
A pesquisa evidencia que, apesar do recuo mensal, o impacto da inflação permanece mais severo para as famílias de menor renda, principalmente devido à alta contínua nos preços de itens essenciais ao orçamento dessas camadas sociais. A expectativa é de que, com a reversão do benefício temporário de energia elétrica, os custos possam voltar a subir nos próximos meses, mantendo o desafio de controle da inflação para o comércio e o consumidor na maior região metropolitana do país.