O desempenho do mercado financeiro brasileiro na última sexta-feira (9) mostrou-se resistente às recentes divulgações de dados inflacionários, com o Ibovespa atingindo máximas históricas impulsionado por pesquisas eleitorais favoráveis ao candidato Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da disputa presidencial. Apesar do aumento de 0,82% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em setembro, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o mercado continuou a precificar cenários positivos para o país, refletindo expectativas de estabilidade econômica e possíveis cortes na taxa básica de juros.
A inflação registrada em setembro foi influenciada principalmente pelo aumento no custo de energia elétrica, que subiu aproximadamente 8% devido ao fim do bônus de Itaipu, benefício anual concedido aos consumidores residenciais de até 340 quilowatts-hora. Este bônus, que havia causado uma redução artificial nos preços de energia em agosto, deixou de ser aplicado no mês seguinte, provocando uma recuperação nos preços do setor de habitação, responsável por quase toda a alta do IPCA. Além disso, o grupo de transportes apresentou alta de 0,89%, puxada pelos aumentos nos preços da gasolina, do etanol e das passagens aéreas. O setor de alimentação e bebidas também voltou a subir após três meses de queda, com destaque para produtos como batata, cebola e tomate. Ao todo, todos os nove grupos pesquisados pelo IBGE apresentaram elevação nos preços em setembro.
Apesar da inflação, o mercado financeiro manteve uma postura otimista, focando nas expectativas para os próximos anos. A queda do dólar, que recuou 0,8%, cotado a R$ 4,98, foi considerada um fator importante para o controle inflacionário e a possibilidade de novos cortes na taxa Selic, atualmente em 13,50%. A expectativa do mercado é de que a taxa seja reduzida em 0,25 ponto percentual até o final do ano, encerrando 2023 em 13,25%. Essa perspectiva de redução de juros está relacionada às ações do Banco Central e ao cenário de estabilidade econômica, que também favorece a abertura de espaço para cortes adicionais na política monetária.
O desempenho da Bolsa de Valores também refletiu o ambiente favorável às ações, impulsionado pelas pesquisas eleitorais que indicam uma possível mudança de governo. A expectativa de uma alternância no poder gerou entrada de capitais estrangeiros, queda do dólar e forte valorização das ações, elevando o volume médio de negociações na B3 de aproximadamente R$ 18 bilhões para cerca de R$ 50 bilhões por dia. Em um único dia, as empresas listadas na Bolsa tiveram uma valorização superior a R$ 400 bilhões, resultado direto do otimismo dos investidores diante do cenário político.
Este movimento no mercado foi influenciado, sobretudo, pela proposta da equipe econômica de Flávio Bolsonaro, que prevê um corte de R$ 200 bilhões nos gastos públicos, equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB). A proposta inclui redução de ministérios, cargos comissionados e uma reforma administrativa, ações que reforçam a expectativa de controle fiscal e redução dos juros futuros. Projeções para 2028 e 2029 indicam taxas de juros na faixa de 12%, comparado aos 14,5% registrados na semana anterior às eleições, embora o resultado do segundo turno continue sendo um fator determinante para a direção futura do mercado e das políticas econômicas.