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Confiança dos Americanos na Economia atingiu níveis inferiores aos da Guerra do Vietnã, aponta pesquisa

•10/06/2022 REUTERS/Andrew Kelly

A percepção dos consumidores americanos em relação à situação econômica do país atingiu níveis historicamente baixos, superando até mesmo os registros da Guerra do Vietnã. Segundo dados preliminares do índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan, divulgado na última sexta-feira, o sentimento caiu para 46,3 pontos, ante 48,1 pontos registrados em setembro. Caso essa leitura seja confirmada, ela representará uma das piores avaliações já feitas pelos americanos ao longo de 74 anos de pesquisa, marcando o segundo menor valor desde o início da medição, há quase oito décadas.

Este cenário de pessimismo ocorre em um momento que antecede as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, reforçando a preocupação de analistas e economistas quanto ao impacto do humor dos consumidores na economia do país. Historicamente, o sentimento de confiança dos americanos sempre esteve relacionado ao desempenho econômico, mas, neste ano, essa correlação parece estar se desfazendo. Apesar de alguns indicadores econômicos mostrarem uma economia relativamente resistente, o sentimento negativo prevalece, impulsionado por fatores como o aumento dos preços da gasolina, a persistente inflação e o retorno ao aumento das taxas de juros.

Economistas destacam que a deterioração do sentimento de consumo é um reflexo de uma narrativa econômica que enfatiza a desigualdade e o custo de vida crescente. James Knightley, economista-chefe internacional do ING, explicou que a relação entre o sentimento e os gastos dos consumidores está sendo rompida por uma dinâmica de “economia em forma de K”, na qual as famílias de alta renda representam uma parcela desproporcional do consumo. Dados do Federal Reserve indicam que os 20% mais ricos, com renda anual superior a US$ 155.000, detêm mais de 70% da riqueza nos Estados Unidos e respondem por cerca de 40% de todos os gastos do país.

Essa disparidade contribui para a frustração generalizada, especialmente entre os segmentos de menor renda, que sentem o peso do aumento dos custos de vida. O índice de confiança do consumidor, que mede a disposição de gastar, caiu 12,2% em relação a setembro, atingindo uma mínima histórica de 44,7 pontos. Além disso, o sentimento negativo se intensificou entre consumidores de baixa renda e aqueles com pouca exposição ao mercado de ações, refletindo uma preocupação crescente com a trajetória econômica.

As expectativas de inflação também aumentaram, elevando-se de 4,6% para 4,7% para o próximo ano, segundo pesquisa da Universidade de Michigan. Antes do início da guerra com o Irã, em fevereiro, as projeções apontavam para uma inflação de 3,4%. A alta nas expectativas de inflação preocupa o Federal Reserve, que elevou as taxas de juros na última reunião, o primeiro aumento em três anos, na tentativa de conter a escalada de preços. Se a percepção de que os preços continuarão subindo prevalecer, há o risco de que os consumidores aumentem seus gastos agora, pressionando ainda mais a inflação, além de impulsionar negociações por salários mais altos e elevar os custos para as empresas.

O relatório também revelou que a maioria dos consumidores considera um momento ruim para realizar compras de bens duráveis, como eletrodomésticos, veículos e imóveis. Aproximadamente 73% acham que não é um bom momento para adquirir eletrodomésticos, 78% para veículos e 87% para casas, fatores que indicam uma provável desaceleração na atividade econômica.

O sentimento negativo é reforçado por uma piora na avaliação da política econômica do governo, especialmente entre os republicanos. Dados mostram que, em setembro, apenas 35% deles consideraram que o governo estava fazendo um bom trabalho na área econômica, contra 62% em março. Além disso, as expectativas de inflação para o próximo ano continuam elevadas, com projeções de 4,7%, o que representa uma alta em relação às 3,4% de fevereiro, antes do início do conflito com o Irã. Essa expectativa é monitorada de perto pelo Federal Reserve, que busca equilibrar o combate à inflação com o crescimento econômico, especialmente diante da próxima divulgação do Índice de Preços ao Consumidor de setembro, prevista para quarta-feira, que deve indicar uma inflação anual de aproximadamente 3,6%, a maior em quatro meses.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade