A China divulgou nesta sexta-feira (9) novas diretrizes políticas que visam intensificar a supervisão sobre seus avanços em tecnologia de ponta, com foco na contenção de bolhas de investimento e na manutenção do controle sobre o desenvolvimento de inteligência artificial (IA). As orientações reforçam o compromisso do governo chinês de promover uma inovação tecnológica responsável, garantindo que as aplicações de IA permaneçam “seguras, confiáveis e controláveis”, ao mesmo tempo em que impulsionam a autossuficiência do país em setores estratégicos.
As diretrizes, emitidas pelo Partido Comunista Chinês em conjunto com o gabinete governamental, ressaltam a necessidade de evitar investimentos desmedidos e expansões excessivas em setores emergentes, especialmente na indústria de alta tecnologia. Nesse contexto, Pequim reforça o apoio à manufatura avançada e às indústrias estratégicas como parte de sua estratégia de fortalecer a independência tecnológica diante da crescente rivalidade com os Estados Unidos. Segundo a agência oficial Xinhua, o desenvolvimento de novas forças produtivas é considerado uma prioridade para fomentar o crescimento de alta qualidade na economia chinesa.
O conceito de “novas forças produtivas” ganhou destaque em 2023, quando o presidente Xi Jinping enfatizou a importância de pesquisa científica, avanços tecnológicos e modernização industrial como pilares do progresso do país. Essas forças incluem, entre outros aspectos, a inovação em teoria da IA, tecnologias essenciais, além do fortalecimento do fornecimento de recursos computacionais, algoritmos e dados. As diretrizes também indicam a criação de bases piloto nacionais para a aplicação industrial de IA, com o objetivo de acelerar a implementação de tecnologias inovadoras no setor produtivo.
Para garantir a segurança e o controle sobre o desenvolvimento de IA, o documento prevê a implementação de sistemas de monitoramento tecnológico, alertas de riscos e planos de resposta a emergências. Essas ações visam assegurar que o avanço tecnológico ocorra de forma segura, prevenindo possíveis prejuízos ou uso indevido das novas tecnologias. Além disso, a China pretende avançar na teoria da IA e fortalecer o fornecimento de componentes essenciais, promovendo uma integração mais segura entre inovação e controle estatal.
O governo chinês também anunciou a implementação plena da iniciativa denominada “AI Plus”, que tem como objetivo utilizar a inteligência artificial para modernizar setores tradicionais, acelerar o lançamento de produtos inteligentes e promover a produção de veículos conectados de novas energias, smartphones, computadores com IA e robôs humanoides. A estratégia busca consolidar a liderança da China na área, promovendo uma economia digital mais robusta e inovadora.
As diretrizes reforçam ainda a prioridade de estimular a inovação “original e disruptiva” em tecnologias essenciais, utilizando o sistema nacional liderado pelo Estado para acelerar o desenvolvimento e a implementação de produtos inovadores. Ao mesmo tempo, o documento orienta as autoridades a priorizar a economia real, evitando a formação de bolhas especulativas, o esvaziamento industrial, investimentos cegos e uma corrida desenfreada por setores de alta tecnologia.
Por fim, as diretrizes deixam claro que o abuso ilegal ou indevido de políticas relacionadas ao desenvolvimento de novas forças produtivas será rigorosamente proibido. Os responsáveis por prejuízos causados por investimentos irrefletidos serão responsabilizados, reforçando o compromisso do governo chinês com uma estratégia de crescimento sustentável, equilibrada e controlada na área de tecnologia e inovação.