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Marca brasileira de óculos aposta na produção artesanal e na valorização da identidade nacional para expandir mercado

Em um cenário dominado por termos como automação, inteligência artificial e alta produtividade, algumas empresas buscam se destacar adotando uma abordagem contrária, focada na experiência de consumo autêntica e na produção manual. Este é o caso da Fuel Eyewear, marca brasileira especializada em óculos de sol e grau, que aposta na manufatura artesanal, na história de origem e na fabricação local como estratégias de diferenciação no mercado.

A preferência por produtos que remetam à personalização e ao cuidado individualizado tem respaldo em dados recentes. Segundo pesquisa da consultoria McKinsey & Company, 71% dos consumidores esperam interagir de forma personalizada com as marcas das quais compram. Essa tendência contrasta com o processo de hiperautomação em alta no mercado, e abre espaço para estratégias que valorizam o toque humano na produção, criando uma narrativa de autenticidade e exclusividade.

A Fuel Eyewear, fundada por Miguel Zabotinsky, adota esse conceito desde sua origem. Zabotinsky, que também atua como designer e lunetier, explica que o objetivo era criar uma marca que unisse moda e design de forma acessível, sem abrir mão da qualidade artesanal. A marca, atualmente com mais de 65 lojas, prioriza a intervenção manual em todas as etapas do processo produtivo, desde o corte até o polimento final, dispensando máquinas de alto volume. Cada peça é produzida com equipamentos que permitem o corte feito à mão, garantindo precisão e o envolvimento humano do início ao fim.

Segundo o empresário, a valorização das técnicas artesanais atende a um desejo crescente dos consumidores por produtos com história e exclusividade. A produção mensal de mil unidades já supera a demanda, evidenciando o sucesso da estratégia. Flávio Barros, CEO da Fuel, destaca que essa narrativa de origem nacional e artesanal tem forte apelo, contribuindo para o encantamento do consumidor e, consequentemente, para o aumento das vendas. Em 2025, a marca faturou R$ 90 milhões e projeta atingir R$ 120 milhões em 2026, reforçando sua expansão no mercado.

Para sustentar esse crescimento sem perder a essência artesanal, a Fuel investiu R$ 800 mil na modernização de sua fábrica própria, localizada no Rio de Janeiro, onde são produzidos os modelos da linha “Born in Rio”. A estratégia de nacionalização do produto visa consolidar a identidade brasileira como diferencial competitivo. Barros ressalta que transformar características culturais brasileiras em uma estratégia de negócio exige inovação constante, com a marca lançando cerca de dois novos modelos por mês.

Além do investimento em produção, a Fuel busca ampliar sua presença por meio de parcerias, incluindo licenciamento de marca para clubes de futebol cariocas como Flamengo e Botafogo, e planos de expansão para clubes como Palmeiras e Corinthians. A manutenção do DNA artesanal, oposto ao conceito de fast fashion, é sustentada por uma demanda crescente por produtos com forte identidade nacional. Os canais de distribuição próprios, incluindo quiosques em aeroportos e pontos turísticos, reforçam esse posicionamento, especialmente ao falar de uma moda carioca produzida no Rio de Janeiro.

Zabotinsky reforça que as marcas independentes estão liderando as novas tendências de consumo, e a Fuel se orgulha de estar entre elas, mantendo o compromisso com a produção manual e a valorização da cultura brasileira. Assim, a estratégia de diferenciação por meio do DNA artesanal tem se mostrado eficaz, consolidando a marca no mercado nacional e abrindo caminhos para sua expansão.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade