As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DIs) no Brasil encerraram a segunda-feira (21) com quedas expressivas, refletindo uma combinação de fatores externos e internos que influenciam o mercado financeiro. Essa redução ocorreu em sintonia com a diminuição dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries) e do petróleo no mercado internacional, além de estar permeada pelo cenário político eleitoral brasileiro, que continua a gerar volatilidade nos negócios.
Ao final do pregão, a taxa do DI para janeiro de 2028, que indica o custo do dinheiro para um prazo de aproximadamente cinco anos, fechou em 13,515%, uma redução de 11 pontos-base em relação ao ajuste de 13,623% registrado na sessão anterior. Na ponta mais longa da curva de juros futuros, a taxa do DI para janeiro de 2035 ficou em 14,01%, com uma queda de 15 pontos-base, ante os 14,158% do dia anterior. Esses movimentos sinalizam uma expectativa de menor risco percebido pelos investidores no médio e longo prazo.
A sessão foi marcada por um ambiente externo mais otimista, impulsionado por notícias de que há uma possibilidade de um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã ainda nesta semana, durante a reunião da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York. Essa expectativa contribuiu para a queda dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano, que também tiveram impacto na redução das taxas futuras brasileiras. Além disso, o petróleo Brent, que havia se mantido em patamares elevados, recuou para a faixa dos US$ 100 por barril, após uma alta recente, contribuindo para o alívio das tensões inflacionárias e de custos para a economia global.
No mercado de ações de Nova York, os principais índices avançaram, refletindo o otimismo externo, enquanto os rendimentos dos Treasuries caíram, indicando maior apetite por ativos de risco. No Brasil, essa conjuntura internacional se traduziu na queda das taxas dos DIs ao longo de toda a curva a termo, reforçando o movimento de redução de juros futuros.
Por outro lado, a retração das taxas também foi influenciada por fatores internos, especialmente por uma nova pesquisa eleitoral divulgada na manhã de segunda-feira. A sondagem BTG/Nexus revelou que, em uma simulação de segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) possui 46% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece com 45%. Apesar de estar tecnicamente empatados, a margem de erro de 2 pontos percentuais indica um cenário de empate técnico. Na pesquisa anterior, Lula tinha 47%, e Flávio, 45%.
Ainda na política, o mercado aguarda a divulgação de um novo levantamento da Quaest, previsto para a noite desta segunda-feira, que pode oferecer insights adicionais sobre a disputa presidencial. Além disso, no mercado de predição Polymarket, sediado nos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro tinha uma vantagem de 61% das apostas de vitória contra 38% de Lula, refletindo a percepção de fortalecimento da candidatura do senador nas últimas semanas. Essa percepção tem favorecido o chamado “trade eleitoral”, que tem impulsionado o índice Ibovespa e contribuído para a queda do dólar e das taxas de juros futuros, uma vez que o mercado enxerga maior probabilidade de uma eleição mais competitiva e menos favorável ao atual governo.
No âmbito econômico, o boletim Focus do Banco Central divulgado na manhã de segunda-feira mostrou que a mediana das projeções para a taxa básica de juros (Selic) no final de 2023 foi ajustada de 13,75% para 13,50% ao ano, indicando uma expectativa de mais um corte de 25 pontos-base na reunião de política monetária prevista para o próximo mês. Para o encerramento de 2027, a projeção da Selic permaneceu em 12,00%. Quanto à inflação, as expectativas para o final de 2026 subiram de 4,90% para 4,92%, enquanto para 2027, a estimativa seguiu em 4,30%.
Na manhã de terça-feira, o mercado continuará atento à divulgação da ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, na busca por pistas sobre os próximos passos na trajetória da Selic. Às 16h32, o rendimento do Treasury de dez anos, referência global para decisões de investimento, caiu 4 pontos-base, atingindo 4,955%. No mesmo horário, o petróleo Brent recuou 3,21%, sendo negociado a US$ 100,54 por barril, consolidando a tendência de ajuste para baixo nos preços do petróleo e nas taxas de juros internacionais.