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Redução do diferencial de juros entre Brasil e EUA pode impactar atratividade dos ativos brasileiros

•Reprodução/Neofeed

A recente redução do diferencial de juros entre os Estados Unidos e o Brasil, impulsionada pelo aumento da taxa de juros americana e a diminuição da brasileira, pode alterar o comportamento de investidores estrangeiros em relação aos ativos brasileiros. Essa mudança no cenário de juros tem potencial para diminuir a atratividade da bolsa de valores e dos investimentos em renda fixa no país, além de exercer pressão sobre o valor do real frente ao dólar.

Na quarta-feira, dia 16, o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, elevou a sua taxa de juros em 0,25 ponto percentual, atingindo uma faixa de 3,75% a 4% ao ano. Essa decisão marca o quinto aumento consecutivo na política de juros norte-americana, que busca conter a inflação e equilibrar a economia. No mesmo dia, o Banco Central do Brasil anunciou a redução da taxa Selic em 0,25 ponto percentual, levando-a a 13,75% ao ano, o que representa o quinto corte consecutivo nesta taxa. Com essas duas decisões, o diferencial nominal entre as taxas básicas de juros dos dois países ficou entre 9,75 e 10 pontos percentuais, uma redução significativa em relação ao cenário anterior.

Especialistas avaliam que essa diminuição no diferencial de juros pode tornar menos atrativos os ativos brasileiros para investidores internacionais, especialmente no que diz respeito à renda fixa. João Daronco, analista da Suno Research, destaca que a redução do diferencial tende a diminuir a atratividade dos ativos brasileiros, o que pode resultar na redução do fluxo de recursos estrangeiros para o país. Essa saída de capital, por sua vez, pode impactar negativamente tanto a bolsa de valores quanto os investimentos em renda fixa, além de pressionar o real frente ao dólar.

Por outro lado, Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, argumenta que, apesar da queda na taxa Selic, o Brasil ainda mantém uma vantagem competitiva no mercado de carry trade, devido às suas altas taxas de juros reais, que continuam entre as maiores do mundo. Para ele, o movimento de fuga de capitais não deve ser imediato ou estrutural, pois outros fatores também influenciam a atratividade dos ativos brasileiros, como a perspectiva de lucros das empresas, o câmbio e a percepção de risco do país.

Nicolas Mérola, analista da EQI Research, acrescenta que a entrada de investidores estrangeiros na bolsa brasileira não está exclusivamente ligada às taxas de juros, mas também à rotação de portfólios dentro do universo de mercados emergentes. Ainda assim, ele reconhece que a alta dos juros nos Estados Unidos tende a reter capital no país, uma vez que títulos norte-americanos passam a ser mais atraentes por oferecer maior segurança e liquidez. Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, há uma probabilidade superior a 50% de que o Federal Reserve realize uma nova alta na taxa de juros na reunião de outubro, o que reforça o cenário de atenção ao movimento de política monetária nos EUA.

Will Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, avalia que, embora o movimento de alta nos juros norte-americanos mereça atenção, não deve gerar uma fuga “estrutural” da bolsa brasileira. Para ele, fatores como o resultado das eleições, a política fiscal do país e os preços das commodities continuarão a ser determinantes para o desempenho dos ativos nacionais. Assim, apesar do cenário de juros mais altos nos Estados Unidos, a recuperação ou manutenção do apetite por investimentos no Brasil dependerá de uma combinação de fatores internos e externos, além do contexto macroeconômico global.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade