Nesta segunda-feira, 21 de outubro, o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciaram a aprovação de reformas no quadro conjunto de avaliação da dívida de países de baixa renda. As mudanças, aprovadas pelos conselhos executivos de ambas as instituições, visam adaptar o sistema de análise às condições econômicas mais complexas e arriscadas que esses países enfrentam atualmente.
A revisão conjunta, a primeira desde 2017, introduz uma série de atualizações em diversas áreas, incluindo uma análise mais detalhada da dívida interna e uma ampliação do foco para os desafios de desenvolvimento de longo prazo, com ênfase nas mudanças climáticas. Essa iniciativa busca aprimorar a avaliação dos riscos à sustentabilidade da dívida, refletindo a necessidade de uma compreensão mais precisa do endividamento de nações que, nos últimos anos, têm apresentado aumentos significativos em seus níveis de endividamento.
Entre as principais mudanças, está a melhoria na forma como a capacidade de endividamento dos países é medida, além da introdução de novas ferramentas que possibilitam uma avaliação mais eficiente da sustentabilidade da dívida. Essas ferramentas devem contribuir para uma análise mais realista e precisa, levando em consideração fatores econômicos, sociais e ambientais que podem influenciar a capacidade de pagamento dos países de baixa renda.
O Banco Mundial e o FMI também se comprometeram a aprimorar as “ferramentas de realismo” e os testes de estresse utilizados na avaliação, de modo a garantir maior consistência e precisão nas projeções. Essas ações visam fortalecer a capacidade das instituições de identificar antecipadamente episódios de sobreendividamento, além de incentivar os países a adotarem uma maior transparência na divulgação de dados relacionados às suas dívidas.
O uso da estrutura de sustentabilidade da dívida pelas duas organizações é fundamental para avaliar a capacidade de um país de contrair novos créditos sem comprometer sua estabilidade financeira. Essa abordagem é especialmente relevante em um cenário onde muitos países de baixa renda têm enfrentado níveis crescentes de endividamento, impulsionados por uma mudança nas fontes de financiamento, que passam a incluir mais empréstimos internos e externos sob condições comerciais mais rigorosas.
As reformas propostas deverão entrar em vigor no segundo semestre de 2027, após um período de implementação e ajustes. Uma revisão realizada em julho deste ano confirmou que o quadro de sustentabilidade da dívida tem sido eficaz na identificação precoce de riscos de sobreendividamento e na orientação de decisões de empréstimos e financiamentos por parte dos países de baixa renda. No entanto, a análise também apontou a necessidade de melhorias para que o sistema possa lidar com os novos desafios econômicos e ambientais que surgem atualmente.