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Ibovespa encerra em queda influenciado por juros futuros, crise no STF e cenário internacional; dólar sobe

•5 de agosto de 2024REUTERS/Carla Carniel

O Ibovespa fechou a sessão desta segunda-feira (14) em queda, refletindo a pressão de fatores internos e externos que impactaram o mercado financeiro brasileiro. O principal índice da B3 recuou 0,91%, encerrando o dia aos 185.500,88 pontos, após oscilar entre uma mínima de 183.813,36 pontos e uma máxima de 187.320,96 pontos. O volume financeiro negociado na bolsa atingiu aproximadamente R$ 22,31 bilhões antes dos ajustes finais. A desaceleração do índice foi motivada, principalmente, pela baixa nas ações da Vale, que sofreram impacto devido à redução dos contratos futuros de minério de ferro na China, um dos principais mercados consumidores da commodity.

No cenário internacional, o dólar à vista fechou em alta de 0,49%, cotado a R$ 5,1490, influenciado pelo fortalecimento da moeda norte-americana no exterior e pelo ambiente político conturbado no Brasil, marcado pela crise no Supremo Tribunal Federal (STF) e pelas recentes pesquisas eleitorais. Apesar de o dólar acumular uma baixa de 6,19% no ano, a demanda por ativos considerados seguros aumentou diante das tensões políticas e geopolíticas atuais. As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) também operaram em alta, refletindo a preocupação do mercado com o cenário eleitoral. Por volta das 10h, a taxa do DI para janeiro de 2028 atingiu 13,695%, um aumento de 7 pontos-base em relação ao ajuste anterior de 13,625%. Já a taxa do DI para janeiro de 2035 subiu para 14,3%, um incremento de 12 pontos-base, frente aos 14,179% registrados na sessão anterior.

A instabilidade internacional também contribuiu para o movimento de busca por ativos mais seguros, especialmente diante do aumento dos preços do petróleo Brent, que voltou a se aproximar dos US$ 110 o barril. O avanço de 4,07% no contrato Brent, que fechou a US$ 108,87, foi impulsionado por ataques a infraestruturas energéticas na Arábia Saudita e por ações iranianas contra navios no Golfo Pérsico, agravando as preocupações com o abastecimento global e alimentando temores inflacionários. Tais eventos ocorreram após o fechamento de um importante oleoduto saudita, elevando o risco de desabastecimento na região.

No âmbito político nacional, as pesquisas eleitorais continuam a influenciar o humor dos investidores. A Nexus/BTG divulgada nesta segunda-feira apontou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a liderar as intenções de voto no primeiro turno, com 42%, contra 39% da semana anterior. O senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 37%, ante 35% na pesquisa anterior. No cenário de segundo turno, Lula mantém vantagem, com 47% frente a 46% de Flávio, embora a disputa permaneça bastante equilibrada, dentro da margem de erro. A pesquisa foi realizada entre os dias 11 e 13 de setembro, com 2.003 entrevistados. Uma outra pesquisa, divulgada pelo jornal O Globo e realizada pela Quaest, mostrou Flávio com 42% e Lula com 40%, também em um cenário de segundo turno, ambos dentro de uma margem de empate técnico.

O mercado financeiro também monitora de perto os desdobramentos da crise no STF e a investigação envolvendo o Banco Master, especialmente após a decisão do ministro Flávio Dino de retirar o sigilo das apurações relacionadas ao filme “Dark Horse”, que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. A medida visa encaminhar o material à Polícia Federal, aumentando a atenção do mercado às possíveis implicações políticas do caso. Segundo Thiago Pedroso, responsável pela área de renda variável na Criteria, o risco político aumentou, especialmente diante de notícias que podem afetar a campanha de Flávio Bolsonaro, já que as revelações podem prejudicar sua imagem eleitoral.

No cenário internacional, a preocupação com o avanço da inteligência artificial também ganhou destaque. Líderes de empresas do setor, como Dario Amodei, CEO da Anthropic, defenderam que o ritmo de desenvolvimento de modelos de IA seja reduzido para evitar usos indevidos. Essa posição foi apoiada por Elon Musk, que dirige a xAI, e por Sam Altman, CEO da OpenAI. Nos Estados Unidos, o índice S&P 500 recuou 0,55%, refletindo a queda de ações de empresas ligadas à tecnologia e à inteligência artificial.

Por fim, o mercado de commodities também registrou movimentações relevantes. O petróleo Brent, referência internacional, apresentou alta de 4,07%, cotado a US$ 108,87 por barril. A elevação foi motivada por ataques a infraestruturas energéticas na Arábia Saudita e por ações iranianas contra embarcações no Golfo Pérsico, o que agravou as preocupações com o abastecimento global e potencial impacto inflacionário nos países importadores de petróleo.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade