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Risco fiscal é apontado como maior ameaça ao sistema financeiro pelo Banco Central

•26 de dezembro de 2024REUTERS/Ueslei Marcelino

De acordo com a mais recente Pesquisa de Estabilidade Financeira (REF) divulgada nesta quinta-feira, 3 de novembro, pelo Banco Central (BC), o risco fiscal passou a ser considerado pela maior parte das instituições financeiras como a principal ameaça à estabilidade do sistema financeiro brasileiro. O levantamento revelou que a proporção de entidades que identificam o risco fiscal como o fator mais relevante subiu de 27% em maio para 34% em agosto, indicando uma ampliação na percepção de vulnerabilidade relacionada às contas públicas do país.

O estudo, que coleta opiniões de instituições financeiras entre os dias 2 e 28 de julho deste ano, também apontou um aumento na preocupação com o risco de inadimplência e atividade econômica. Essas categorias passaram de 21% para 26% no período, refletindo uma maior atenção às condições de crédito e ao comportamento de devedores em um cenário de juros elevados. Em contrapartida, houve uma redução na percepção do risco internacional como a ameaça mais significativa, que caiu de 24% para 20% de citações, sugerindo uma menor preocupação com fatores externos, embora ainda presentes.

O relatório do BC destacou que o crescimento da dívida pública e do déficit primário tem impulsionado a preocupação com o risco fiscal. Essas questões, que envolvem o aumento do endividamento do governo e o desequilíbrio nas contas públicas, são vistas como fatores que podem comprometer a estabilidade financeira do país a médio e longo prazo. Além disso, o aumento na inadimplência, especialmente de famílias e empresas, também reforça a percepção de risco, uma vez que o elevado endividamento em um ambiente de juros altos eleva a probabilidade de inadimplência, impactando diretamente a saúde do sistema financeiro.

No cenário internacional, o BC manteve a preocupação com os desdobramentos do conflito no Oriente Médio, que podem influenciar a inflação brasileira. Apesar de o risco internacional ter registrado uma redução na sua percepção como maior ameaça, o relatório evidencia que as tensões globais continuam sendo uma variável de atenção, sobretudo em relação às pressões inflacionárias e às condições de mercado externas.

Além disso, o BC observou que, apesar do elevado nível de alavancagem de famílias e empresas, a preocupação com o hiato do crédito — ou seja, a diferença entre a capacidade de consumo e o volume de crédito disponível — apresentou uma leve diminuição. Essa mudança sugere uma certa estabilização na percepção de risco relacionada ao ciclo econômico interno.

Por fim, o índice de confiança no Sistema Financeiro Nacional (SFN) apresentou uma nova queda, atingindo 71,15 pontos em agosto, contra 71,79 pontos registrados em maio. Essa é a sétima leitura consecutiva de declínio, indicando uma deterioração gradual na avaliação das instituições financeiras sobre o ambiente de negócios e a estabilidade do sistema. Apesar de ainda manter um patamar considerado alto, o BC destacou que a confiança vem apresentando uma tendência de diminuição na margem, o que reforça a necessidade de atenção às condições internas e externas que possam afetar a saúde financeira do país.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade