A fabricante sul-coreana de semicondutores SK Hynix revelou nesta quinta-feira seus planos de iniciar a produção em larga escala de seus chips de memória de alta largura de banda da próxima geração, os HBM4E, em sua fábrica localizada no estado de Indiana, nos Estados Unidos. A previsão é que a operação comece no terceiro trimestre de 2029, em um momento em que a empresa espera que a escassez global de chips de memória persista até o final de 2030. A iniciativa faz parte de uma estratégia de expansão significativa das operações da companhia no mercado norte-americano, impulsionada pelo crescimento contínuo na demanda por tecnologias de inteligência artificial (IA) e por memórias de alta performance, essenciais para aplicações avançadas.
A nova instalação, que representa um investimento superior a US$ 4 bilhões, será responsável por uma produção que, futuramente, deve atingir centenas de milhares de wafers de chips por ano, segundo previsão do presidente-executivo Kwak Noh-Jung. A fábrica será instalada no Parque de Pesquisa da Purdue, em West Lafayette, e deverá iniciar suas operações em sala limpa, um ambiente controlado que evita contaminações durante a fabricação de semicondutores, no segundo semestre de 2028. Além da produção de chips HBM4E, o local também abrigará uma instalação de pesquisa e desenvolvimento voltada para tecnologias de IA, reforçando o compromisso da SK Hynix em liderar a inovação no setor.
A expansão da capacidade produtiva nos Estados Unidos visa aproximar a produção dos principais clientes da empresa, incluindo gigantes como Nvidia, Microsoft e Google, todos com forte presença no mercado de inteligência artificial. Kwak Noh-Jung afirmou que, até 2030, a unidade de Indiana deverá se consolidar como uma base fundamental para a fabricação de memórias HBM nos Estados Unidos, contribuindo para a resiliência da cadeia de suprimentos de chips no país. A expectativa é que a instalação gere cerca de 7.000 empregos diretos e indiretos na região, reforçando o impacto econômico da iniciativa.
A estratégia da SK Hynix ocorre em um momento de otimismo no mercado de semicondutores. De acordo com dados da Counterpoint Research, a companhia detinha, no primeiro trimestre de 2026, aproximadamente 58% do mercado global de chips HBM em termos de receita, deixando para trás a Samsung Electronics e a Micron Technology, que tinham participações de 21% cada. A demanda por memórias de alta largura de banda tem sido impulsionada pelo crescimento exponencial de aplicações de inteligência artificial, que requerem processamento de dados mais rápido e eficiente. Chips HBM, que empilham chips verticalmente para oferecer maior velocidade e menor consumo de energia, tornaram-se um componente estratégico para fabricantes de chips de memória e processadores de IA.
O mercado de memória de alta performance tem mostrado sinais de recuperação após uma recessão recente, com fabricantes como Nvidia prevendo aumentos expressivos na receita. A Nvidia, por exemplo, estimou um crescimento de 70% na receita para o próximo ano fiscal, refletindo a forte demanda por soluções de computação avançada. Nesse cenário, a SK Hynix mantém uma visão otimista, sem sinais de desaceleração iminente na demanda por memória, e espera que qualquer eventual redução seja moderada, sem impacto significativo para seus negócios além de 2030.
O apoio do governo dos Estados Unidos também reforça os planos da SK Hynix. Em dezembro de 2024, o governo finalizou a liberação de US$ 458 milhões em subsídios e até US$ 500 milhões em empréstimos, previstos na Lei CHIPS, destinados a fortalecer a cadeia de suprimentos de semicondutores no país. Além das operações nos Estados Unidos, a empresa anunciou, no início deste mês, um investimento de cerca de 54,3 trilhões de won (aproximadamente US$ 45 bilhões) até 2031, incluindo recursos destinados à segunda fase de ampliação de suas fábricas na Coreia do Sul, demonstrando seu compromisso de longo prazo com o setor de semicondutores.