O Instituto Nacional de Câncer (Inca) realizou, nesta quinta-feira (27), um evento virtual em comemoração ao Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto. A iniciativa teve como objetivo reforçar a mensagem de que a prática regular de atividades físicas e o consumo de produtos de tabaco e nicotina são comportamentos incompatíveis, devido aos efeitos opostos que exercem sobre o organismo humano. A campanha deste ano tem como tema central “Atividade física e saúde: treinar não combina com fumar”, buscando conscientizar a população sobre os riscos do tabagismo e os benefícios da atividade física para a saúde.
Segundo o Inca, a prática de exercícios físicos contribui para o fortalecimento dos sistemas cardiovascular, respiratório e muscular, além de melhorar o condicionamento físico e a qualidade de vida de forma geral. Em contrapartida, o consumo de tabaco compromete essas funções, reduzindo o desempenho físico, aumentando o risco de doenças crônicas e prejudicando o bem-estar do indivíduo. A entidade ressalta ainda que a atividade física pode atuar como uma ferramenta auxiliar no processo de cessação do tabagismo, ajudando a diminuir a vontade de fumar e a aliviar os sintomas de abstinência, além de promover melhorias na saúde mental e física dos usuários.
A psicóloga Vera Borges, especialista em tratamento do tabagismo do Inca, enfatizou a importância da atividade física na promoção da saúde integral. Ela alertou que fumantes, incluindo aqueles que utilizam cigarros convencionais ou vaporizadores (vapes), muitas vezes acreditam que o exercício físico reduz os riscos associados ao tabagismo. Contudo, Borges reforça que qualquer forma de produto derivado do tabaco ou nicotina, independentemente do método de consumo, traz prejuízos à saúde. “Esse tema reforça a necessidade de alertar os fumantes de cigarros e de vapes de que fazer atividade física não compensa os danos causados pelo tabaco, que anulam os benefícios do exercício”, afirmou.
De acordo com a especialista, todos os benefícios decorrentes da prática regular de atividade física — como melhora na resistência, maior capacidade respiratória e fortalecimento muscular — são completamente anulados pelos efeitos nocivos do tabagismo. Ela destacou ainda que o uso de produtos à base de nicotina, como sachês, tem sido promovido de forma crescente nas redes sociais por influenciadores e atletas, sob a justificativa de estimular o bem-estar, o que é um equívoco, pois esses produtos também prejudicam a saúde física.
A campanha do Inca também busca conscientizar adolescentes e jovens sobre os riscos da dependência de nicotina, incluindo a experimentação de dispositivos eletrônicos como os vapes e outros derivados do tabaco. Segundo Borges, esse público muitas vezes é levado a acreditar que os eletrônicos representam uma alternativa menos danosa ao condicionamento físico, o que não é verdade. Ela alerta que o uso de sachês de nicotina, por exemplo, é cada vez mais divulgado por influenciadores digitais, promovendo uma falsa ideia de naturalidade e segurança.
Por fim, a especialista reforça que o consumo de tabaco compromete a resistência física, causa fadiga precoce, dificulta a recuperação após exercícios e aumenta o risco de complicações cardiovasculares durante atividades intensas. Assim, o Inca reforça a mensagem de que “treinar e fumar é incompatível”, destacando a importância de promover comportamentos saudáveis e ambientes livres de produtos de nicotina para a preservação da saúde pública.