O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, anunciou na segunda-feira, 24 de outubro, uma estratégia de pressão econômica dirigida aos países que mantêm relações comerciais com o Irã, especialmente na aquisição de petróleo. Conhecido por sua postura firme, Bessent referiu-se a esse esforço como um “Dia D econômico”, indicando uma intensificação das ações americanas contra aqueles que continuam a comprar petróleo iraniano. Apesar de não citar explicitamente a China, suas declarações deixaram claro que o país asiático está no centro dessa estratégia de fiscalização.
Durante a declaração, Bessent afirmou que a abordagem dos EUA é baseada na diplomacia discreta, na qual as expectativas são alinhadas individualmente com cada nação, deixando claro que Washington sabe quem são os principais parceiros comerciais do Irã. “Sabemos quem são. Eles sabem quem são”, disse o secretário, reforçando a intenção de pressionar aqueles que continuam a manter relações comerciais com Teerã.
Embora a ameaça de sanções ou ações mais duras pareça direcionada principalmente à China, os efeitos podem se estender globalmente, incluindo impactos sobre os consumidores americanos. A relação comercial entre Teerã e Pequim é significativa, já que a China é responsável por aproximadamente 90% do petróleo exportado pelo Irã, gerando dezenas de bilhões de dólares anuais que sustentam o orçamento iraniano e suas atividades militares. Segundo dados da Comissão de Revisão Econômica e de Segurança EUA-China, as exportações iranianas de petróleo atingiram entre US$ 3,9 bilhões e US$ 4,2 bilhões em setembro de 2025, com a maior parte dessas vendas destinadas à China, a maior consumidora de energia do mundo.
O anúncio do secretário foi interpretado por analistas como um “tiro de advertência”, sem a implementação de medidas amplas ou sanções específicas naquele momento. No entanto, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, respondeu às declarações americanas afirmando que sanções e táticas de pressão não contribuem para a resolução de questões internacionais. Ele destacou que tais medidas podem levar a uma escalada de tensões e que a China monitorará de perto os desdobramentos, estando pronta para adotar suas próprias ações para proteger seus interesses.
Dados de fontes como a Nomura indicam que cerca de 38% do petróleo e 23% do gás natural liquefeito consumidos na China transitam pelo Estreito de Ormuz, ponto estratégico e foco de tensões envolvendo o Irã. Apesar de a China ter reduzido suas compras de petróleo iraniano — que antes eram de cerca de 1,4 milhão de barris por dia, caindo para aproximadamente 700 mil devido à menor atividade das refinarias e ao uso de estoques — especialistas avaliam que uma paralisação total nas importações não causaria um impacto imediato na segurança energética do país, dado seu estoque de petróleo e a diminuição recente das compras.
Ainda assim, sanções adicionais podem agravar a relação entre os Estados Unidos e a China, que já enfrentaram tensões comerciais intensas, incluindo uma guerra de tarifas no ano passado. Recentemente, ambas as nações retomaram uma troca de sanções, adotando uma postura de retaliação mútua. Segundo analistas, a China é considerada uma das principais influências na capacidade do Irã de financiar suas atividades, o que torna qualquer ação contra Pequim uma decisão de impacto global.
Historicamente, outros países como a Índia também já sofreram sanções americanas por manterem relações comerciais com o Irã. Apesar de ter interrompido suas importações de petróleo iraniano em 2019, a Índia voltou a adquirir petróleo do país em abril deste ano, em meio a uma crise energética.
A efetividade das sanções americanas permanece incerta, sobretudo devido à dificuldade de rastrear o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, onde navios de frotas oficiais e de frotas-sombra — utilizadas por países sob sanções — transitam de forma muitas vezes oculta. Dados recentes indicam que cerca de metade do tráfego no estreito pode estar associado a rotas não rastreáveis, dificultando a avaliação do impacto das ações de Washington.
Por sua vez, o mercado global de petróleo tem resistido a escassezes extremas devido às reservas estratégicas, mas os preços ao consumidor têm sido afetados. Nos Estados Unidos, o preço médio da gasolina atingiu US$ 4,10 por galão, contra uma média de US$ 3,15 no mesmo período do ano passado, refletindo o impacto das tensões envolvendo o Irã e as sanções internacionais.
Na ocasião, Bessent declarou que “ninguém está fora do alcance das sanções dos EUA”, embora tenha evitado definir prazos para ações futuras. Com a visita do líder chinês Xi Jinping aos Estados Unidos prevista para o próximo mês, as próximas semanas podem determinar o ritmo das negociações e das medidas econômicas entre as duas maiores economias globais.