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Setor de serviços do Brasil volta a registrar contração após oito meses de expansão, aponta pesquisa

•30 de julho de 2026. REUTERS/Alexandre Meneghini

O setor de serviços do Brasil voltou a apresentar sinais de retração em julho, encerrando um período de oito meses consecutivos de crescimento, conforme indicam os dados divulgados nesta quarta-feira pela pesquisa PMI (Índice de Gerentes de Compras) da S&P Global. O índice de atividade do setor de serviços, que havia se mantido acima de 50 pontos durante quase um ano, caiu para 49,7 em julho, ante 51,3 registrado em junho. Este é o primeiro mês desde outubro de 2025 em que o indicador aponta contração, ou seja, uma diminuição na atividade do setor.

A deterioração do cenário de serviços ocorre em um momento de desaceleração geral da economia brasileira, com a indústria também registrando queda na produção, o que impacta negativamente o PMI Composto do setor privado, que caiu de 50,7 em junho para 48,8 em julho. Este é o nível mais baixo desde outubro do ano passado, refletindo uma conjuntura de retração tanto na indústria quanto nos serviços, que compõem a maior parte do PIB do país.

Segundo Pollyanna De Lima, diretora associada de Economia da S&P Global Market Intelligence, a proteção que o setor de serviços vinha oferecendo contra a fraqueza industrial ao longo de 2026 desapareceu em julho, levando o setor privado brasileiro de volta à contração. Ela explica que a queda na produção de serviços foi motivada por fatores como adiamento de projetos por parte dos clientes, pressões inflacionárias, retração na demanda, além de desafios enfrentados pelo setor industrial e dificuldades financeiras de consumidores.

A pesquisa aponta ainda que, após uma leve expansão em junho, o volume de novos negócios no setor de serviços recuou de forma significativa em julho, registrando o ritmo mais forte de retração em dez meses. Essa redução foi atribuída principalmente ao adiamento de pedidos por parte dos clientes, que têm limitado seus gastos devido a restrições orçamentárias, além da crescente incerteza relacionada às próximas eleições presidenciais, marcadas para outubro.

Outro aspecto relevante destacado na pesquisa é a diminuição do número de empregados no setor de serviços brasileiro. As empresas relataram que a queda nas vendas, a necessidade de reestruturações internas e o encerramento de contratos contribuíram para esse recuo no quadro de empregos. Ainda assim, os gastos das empresas continuaram a aumentar, impulsionados por elevações nos custos de energia, mão de obra, matérias-primas e transporte. Entre os itens que tiveram alta de preços estão produtos agrícolas, componentes eletrônicos, laticínios, carne, embalagens e peças de computador, refletindo uma inflação setorial.

Apesar do aumento nos custos, a taxa de inflação geral no setor de serviços diminuiu para o menor nível em quatro meses, embora ainda seja considerada elevada em comparação com padrões históricos. Os preços cobrados pelos serviços também cresceram, porém em ritmo mais lento, o que sugere uma desaceleração na pressão inflacionária.

As expectativas para o futuro permanecem cautelosamente otimistas. Os fornecedores de serviços demonstraram esperança de recuperação na confiança dos clientes e na demanda após as eleições de outubro, além de acreditarem que as pressões inflacionárias poderão ser contidas de forma mais eficaz. Como resultado, o índice de confiança dos empresários melhorou em relação à mínima de 11 meses registrada em junho, indicando uma perspectiva de estabilização ou possível recuperação no médio prazo.

Em resumo, os dados de julho sinalizam uma mudança no cenário econômico do setor de serviços no Brasil, que voltou a registrar contração após meses de expansão, refletindo fatores internos e externos que afetam a demanda, os custos e a confiança dos agentes econômicos.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade