A Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) promoverá, no dia 28 de agosto, um debate dedicado à discussão sobre a violência algorítmica dirigida às pessoas LGBTQIAPN+. O evento, que acontecerá das 10h30 às 12h na sala 410, abordará como os sistemas automatizados, algoritmos e políticas de conteúdo presentes nas plataformas digitais podem reproduzir práticas de exclusão e discriminação contra uma população que, historicamente, enfrenta diversos níveis de marginalização.
A atividade contará com a participação de Bruna Irineu e Larissa Pelúcio, autoras do livro “Violência Algorítmica e Vidas LGBTQIAPN+: ensaios sobre tecnologia, poder e resistência na era digital”, publicado gratuitamente em maio deste ano. Nesse material, elas apresentam resultados de suas pesquisas sobre os mecanismos discriminatórios presentes em plataformas digitais e seus efeitos na livre expressão de identidades e no ativismo, além de discutir a circulação de discursos de ódio que encontram poucas barreiras para se propagar. O livro também analisa de que maneira essas tecnologias podem reforçar preconceitos e desigualdades, especialmente aqueles já existentes nos dados utilizados para treinar algoritmos, e destaca iniciativas de resistência na América Latina e no Caribe.
Segundo as autoras, as afetações provocadas pelas tecnologias digitais são moldadas tanto pelos interesses das próprias plataformas quanto pelas ações das usuárias, que frequentemente enfrentam e denunciam essas lógicas. Elas ressaltam que essas mulheres utilizam as plataformas para desafiar os vieses algorítmicos e a classificação desigual de identidades de gênero e sexualidade, que muitas vezes são categorizadas dentro de um espectro de maior ou menor aceitabilidade social. Além disso, as autoras destacam que essas usuárias reivindicam o direito de definir suas próprias identidades e corpos, subvertendo as noções pré-concebidas de identidade.
O debate também abordará episódios de tratamento desigual em sistemas de moderação de conteúdo, frequentemente interpretados como falhas técnicas, mas que, na prática, revelam uma seletividade programada baseada em discriminação estrutural. Para aprofundar a discussão, o evento contará com a presença do pesquisador Marcos Azevedo, do Departamento de Ciências Sociais da ENSP, que atuará como debatedor, e da professora Juliana Kabad, do Departamento de Administração e Planejamento em Saúde (Daps), que fará a mediação.
Durante o evento, os participantes poderão adquirir o livro e receber autógrafos das autoras, que também são co-líderes do Observatório LGBTI+ de enfrentamento à violência algorítmica e ao extrativismo de dados, uma iniciativa apoiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
A violência algorítmica refere-se ao aumento de práticas discriminatórias por meio de sistemas automatizados, como redes sociais, inteligência artificial e sistemas de vigilância, que reproduzem preconceitos presentes nos dados utilizados em seu treinamento. Entre exemplos dessas práticas estão mecanismos de moderação que restringem ou removem conteúdos, sistemas de recomendação que influenciam a visibilidade de publicações e ferramentas automatizadas que reforçam estereótipos e vieses de forma sistemática, contribuindo para a ampliação de formas de silenciamento, exclusão e discriminação, especialmente contra populações vulneráveis, como a comunidade LGBTQIAPN+.