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Empresa de criptomoedas ligada a Trump participa de parceria com plataforma que oferece modelos de IA chinesa considerada risco à segurança nacional

•8 de maio de 2026 REUTERS/Elizabeth Frantz

Uma das principais empresas de criptomoedas associada ao ex-presidente Donald Trump, a World Liberty Financial, está envolvida em uma parceria com a plataforma de inteligência artificial WorldClaw, fundada recentemente em Hong Kong. A colaboração permite o acesso a modelos de IA desenvolvidos por empresas chinesas, incluindo gigantes como Alibaba e Baidu, que o governo dos Estados Unidos considera potenciais ameaças à segurança nacional e à propriedade intelectual. A relação ocorre em um momento de crescente tensão entre Estados Unidos e China no campo da tecnologia, especialmente na área de inteligência artificial.

A WorldClaw, criada no início deste ano, oferece aos seus clientes uma variedade de modelos de IA, aceitando tokens de criptomoedas da World Liberty como pagamento. A família Trump, que detém uma participação acionária na World Liberty, obtém receita com esses tokens, incluindo a stablecoin USD1, lastreada por ativos tradicionais como títulos do Tesouro dos EUA. A plataforma afirma que seus modelos incluem tanto opções chinesas quanto americanas, como as da OpenAI e Anthropic, e que a utilização de modelos chineses, geralmente mais acessíveis, tem ganhado força globalmente, inclusive entre empresas de tecnologia dos Estados Unidos.

Entretanto, a análise da Reuters revelou que 43 dos 90 modelos disponíveis na plataforma da WorldClaw foram produzidos por empresas chinesas como Alibaba, Baidu, Z.ai, DeepSeek e Moonshot. Algumas dessas companhias, segundo o Departamento de Defesa dos EUA, estão alinhadas às forças armadas chinesas ou envolvidas em atividades que ameaçam a segurança nacional, como a modernização militar da China ou o roubo de propriedade intelectual. Empresas como Z.ai, anteriormente Zhipu AI, estão na lista de entidades restritas do Departamento de Comércio dos EUA, que limita o acesso às suas tecnologias por empresas norte-americanas sem autorização.

A relação entre a World Liberty e a WorldClaw não é ilegal, e as empresas afirmam que a colaboração é comum no mercado de inteligência artificial, onde empresas americanas também utilizam modelos chineses. No entanto, especialistas em tecnologia, comércio e ética destacam que os lucros gerados por essa parceria podem representar um conflito de interesses, especialmente considerando a postura do governo Trump de restringir ou monitorar o uso de tecnologia chinesa por motivos de segurança nacional. Segundo analistas, a estratégia de Trump de priorizar negócios e manter relações comerciais com empresas chinesas contrasta com a retórica oficial de contenção.

A Reuters não conseguiu apurar detalhes específicos dos acordos financeiros entre a World Liberty e a WorldClaw, nem quanto a família Trump teria recebido em pagamentos de criptomoedas. Os filhos mais velhos de Trump, Donald Trump Jr. e Eric Trump, promoveram publicamente a plataforma, enquanto um executivo da World Liberty atuou como consultor da WorldClaw. A plataforma aceita a stablecoin USD1 como pagamento, além de outras criptomoedas, e afirma que sua ferramenta WorldRouter, que agrega acesso a diversos modelos de IA, conta com mais de 10 mil usuários e realiza mais de 50 milhões de tarefas por dia.

A oferta de modelos chineses inclui também opções de empresas como Baidu, Z.ai, DeepSeek e Moonshot, que enfrentam restrições por parte do governo dos EUA devido a preocupações de segurança ou alegações de roubo de propriedade intelectual. A Alibaba e outras companhias contestaram a classificação do governo americano, alegando que não possuem vínculos com atividades militares ou estratégias de fusão entre os setores militar e civil na China. A empresa também anunciou que tomará medidas legais para remover seu nome da lista de entidades restritas.

Especialistas alertam para os riscos de uso desses modelos chineses, incluindo monitoramento pelo governo chinês, censura de resultados e possibilidade de injeção de código malicioso. A empresa afirma que adota medidas de segurança para proteger a privacidade dos usuários. A situação reflete uma complexa dinâmica internacional, na qual as empresas e os governos tentam equilibrar interesses comerciais e de segurança nacional em meio a uma disputa tecnológica cada vez mais acirrada.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade