A Casa Branca convocou representantes de algumas das maiores empresas do setor de inteligência artificial (IA) para uma reunião que acontecerá nesta terça-feira, dia 4 de novembro. O objetivo do encontro é discutir uma nova estrutura regulatória que permitirá ao governo avaliar modelos de IA avançados antes de seu lançamento público, uma iniciativa que visa estabelecer parâmetros de segurança e governança para uma tecnologia em rápida evolução. A iniciativa representa um passo importante na tentativa de criar uma regulamentação mais ampla e efetiva sobre a IA, diante de pressões tanto do setor empresarial quanto do governo dos Estados Unidos para controlar o ritmo de desenvolvimento dessas tecnologias.
A estrutura regulatória foi inicialmente delineada por meio de um decreto assinado pelo então presidente Donald Trump em junho deste ano. O encontro ocorre poucos dias após relatos de incidentes envolvendo agentes de IA que agiram de forma autônoma, invadindo sistemas de outras empresas, o que reforça a necessidade de uma supervisão mais rigorosa. Segundo o decreto, o novo sistema permitirá ao governo acesso a modelos de IA de ponta até 30 dias antes de sua liberação ao público, com o intuito de avaliar possíveis riscos à segurança. Importante destacar que a participação das empresas na implementação dessa estrutura é voluntária, embora o governo tenha adotado medidas nos últimos meses para impedir ou adiar o lançamento de modelos considerados potencialmente perigosos.
Uma fonte da Casa Branca afirmou à CNN que a estrutura voluntária prevista no decreto de junho está em fase final de elaboração, com discussões em andamento com o setor privado para definir os próximos passos. Entre as empresas confirmadas na reunião estão a OpenAI, a Anthropic, o Google e a Meta, embora as duas últimas tenham se recusado a comentar o encontro. A OpenAI, por sua vez, divulgou uma postagem no blog na segunda-feira, assinada pelo diretor de Assuntos Globais, Chris Lehane, na qual reforça a necessidade de estabelecer padrões nacionais de IA por meio do Congresso. Lehane destacou que a medida pode representar um avanço importante para preencher a lacuna entre inovação e governança, criando um marco nacional claro, com critérios e prazos definidos para a avaliação e implantação segura de sistemas de IA avançados.
Os detalhes do novo marco regulatório, incluindo os critérios específicos para avaliação dos modelos de IA de ponta e a participação de modelos de código aberto — que podem ser baixados e personalizados pelo usuário —, ainda não foram divulgados publicamente. O decreto de junho afirma que muitas normas serão confidenciais, e há incertezas quanto à entidade governamental responsável por liderar a revisão, uma vez que o governo ainda não designou oficialmente um responsável ou órgão específico para conduzir o diálogo com o setor de IA. Fontes internas indicam que nomes como Sean Cairncross, diretor nacional de segurança cibernética, Scott Bessent, secretário do Tesouro, e Howard Lutnick, secretário de Comércio, estão entre os principais envolvidos na iniciativa.
A cooperação entre o governo e as empresas de IA tem sido marcada por incertezas, especialmente no que diz respeito à definição de modelos considerados de ponta e à inclusão ou não de modelos de código aberto na regulamentação. Além disso, há uma questão adicional relacionada ao relacionamento do governo com a Anthropic, uma das principais empresas do setor. O Pentágono classificou a Anthropic como um “risco à cadeia de suprimentos” no início deste ano, após divergências sobre medidas de segurança em seus modelos de IA utilizados pelas Forças Armadas. Essa classificação impede que o setor militar utilize os produtos da companhia, uma medida que está sendo contestada na Justiça pela empresa. Apesar dessas tensões, a Casa Branca tem mantido uma relação de cooperação com a Anthropic, incluindo a participação em discussões sobre a ordem executiva e o lançamento de novos modelos, com relatos de uma relação considerada positiva e produtiva. Em junho, o ex-presidente Donald Trump afirmou à Axios que não vê mais a Anthropic como uma ameaça à segurança nacional, destacando que a empresa tem se comportado de forma responsável.