O Brasil registrou 848 casos de feminicídio entre janeiro e julho de 2026, conforme dados divulgados nesta sexta-feira (21) pelo Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). O número representa uma redução de 3,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, indicando uma diminuição no total de vítimas de homicídios por razões de gênero no país. Apesar da queda, o volume de casos permanece elevado, especialmente considerando-se os sete primeiros meses do ano, e evidencia a persistência de um problema grave de violência contra as mulheres.
Os dados do Sinesp apontam que a média móvel de feminicídios atingiu seu pico em março de 2026, com 141,8 vítimas, mas apresentou uma tendência de declínio nos meses seguintes, chegando a 119,8 em julho. Essa variação mensal demonstra uma possível melhora na dinâmica da violência de gênero, embora os números ainda sejam expressivos. Em 2025, o país registrou 1.571 feminicídios, o que configurou o maior volume da série histórica iniciada em 2015, quando o feminicídio passou a integrar o Código Penal brasileiro como crime autônomo.
Esse aumento de 4% em relação a 2024 reforça a tendência de crescimento contínuo do fenômeno no Brasil, que também é refletida na taxa de 1,4 feminicídios para cada 100 mil mulheres. O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em julho de 2026, evidencia que o feminicídio passou a representar uma proporção cada vez maior das mortes violentas de mulheres no país, com 44,4% dessas vítimas sendo assassinadas por motivos de gênero em 2025 — o índice mais alto desde a inclusão do crime na legislação.
No âmbito regional, dados consolidados pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) indicam que três das cinco regiões brasileiras apresentaram redução no número de feminicídios entre janeiro e julho de 2026, em comparação ao mesmo período de 2025. Ainda assim, a análise por estados revela que, de um total de 26 unidades federativas, 14 tiveram queda no número de vítimas, enquanto 11 registraram aumento e duas permaneceram estáveis. Entre os estados com maior redução estão Piauí, Minas Gerais, Pernambuco e Maranhão, cujos números de vítimas caíram significativamente.
No combate à violência de gênero, o governo federal coordena a Operação Mulher Segura, uma iniciativa que, em 2026, já contabiliza 34,4 mil prisões, mais de 150 mil atendimentos a vítimas e o acompanhamento de mais de 95 mil Medidas Protetivas de Urgência (MPUs). Essas ações representam esforços coordenados entre as forças de segurança dos estados e do Distrito Federal para reduzir o impacto do feminicídio e de outras formas de violência contra as mulheres.
O ano de 2025 marcou um recorde na série histórica de feminicídios no Brasil, consolidando uma tendência de crescimento que se mantém em 2026. Além do aumento no número de vítimas, o período foi o primeiro em que a Lei nº 14.994/2024, que transformou o feminicídio em crime autônomo, esteve em vigor integralmente. Essa mudança legal reforça a gravidade do crime, embora os dados mostrem que a incidência ainda requer ações efetivas de prevenção e repressão.
Os números indicam que, apesar das melhorias pontuais, o feminicídio continua sendo uma das formas mais graves de violência de gênero no Brasil, demandando atenção contínua das autoridades e da sociedade para enfrentamento dessa problemática que afeta milhares de vidas anualmente.