O Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) revelou que, entre agosto de 2025 e julho de 2026, as áreas sob alerta de desmatamento na Amazônia atingiram o menor nível da série histórica iniciada em 2016, com uma redução de 36,05% em relação ao período anterior. A área total de desmatamento detectada durante esse intervalo foi de 2.874,38 km², representando uma diminuição significativa e marcando um avanço na preservação do bioma. A divulgação dos dados ocorreu nesta sexta-feira (7), durante uma coletiva de imprensa realizada em São José dos Campos (SP), na qual participaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Ainda aguardam-se os números do Programa de Monitoramento do Desmatamento da Amazônia Legal por Satélite (PRODES), que complementam a análise do desmatamento na região.
Este resultado constitui o menor valor registrado na série histórica do monitoramento, que começou em 2016, e ficou abaixo da média dos últimos dez ciclos de análise. Essa redução expressiva reflete, em parte, os esforços de comando e controle adotados pelo governo brasileiro para combater o desmatamento ilegal, além de indicar uma tendência positiva na preservação da floresta amazônica. Especialistas destacam, entretanto, a importância de aprofundar o entendimento sobre a dinâmica da vegetação secundária — áreas de regeneração natural que também desempenham papel fundamental no estoque de carbono e na conectividade das paisagens florestais. André Guimarães, membro da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura e diretor-executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), afirmou que os números representam uma boa notícia, mas ressaltou a necessidade de uma análise mais detalhada sobre esses processos ecológicos.
Nos estados que compõem a Amazônia Legal, o desempenho no combate ao desmatamento apresentou variações. O Pará registrou uma redução de 25,5% nos alertas; Mato Grosso, de 49%; Amazonas, de 46,7%; Acre, de 35,3%; e Rondônia, de 41,2%. Por outro lado, Roraima apresentou um aumento de 32,5% nos alertas de desmatamento, indicando que o avanço na proteção da floresta ainda enfrenta desafios específicos na região. Além do bioma amazônico, o monitoramento também apontou uma queda de 7,8% nos alertas de desmatamento no Cerrado, que totalizaram 5.119,46 km² de áreas identificadas no mesmo período. No Maranhão, a maior área sob alerta foi registrada, atingindo 1.276,92 km², o que reforça a necessidade de atenção contínua na região.
Esses dados representam um avanço importante na luta contra o desmatamento na Amazônia, mas também evidenciam a complexidade do cenário e a necessidade de ações coordenadas e sustentáveis para manter essa tendência de redução. A expectativa é que os números do PRODES possam oferecer uma análise mais detalhada e complementar, contribuindo para estratégias mais eficazes de preservação e combate ao desmatamento ilegal na maior floresta tropical do mundo.