Reconhecido por transformar a comédia na televisão com a versão americana de “The Office”, o produtor Greg Daniels retorna a um formato que lhe é familiar: o mockumentary, ou falso documentário. Neste novo projeto, intitulado “The Paper”, ele explora o universo do jornalismo local em crise, co-criado e dirigido em parceria com Michael Koman, conhecido por “Nathan for You”.
Durante uma coletiva de imprensa, na qual a equipe da Splash esteve presente, os showrunners compartilharam detalhes sobre o processo criativo, a seleção do elenco e a relevância da narrativa de um pequeno jornal nos dias atuais.
A conexão entre este novo trabalho e a obra anterior de Daniels não é por acaso. Após anos evitando projetos que pudessem “diluir” o legado de “The Office”, ele sentiu que era o momento certo para desenvolver algo com um tom semelhante, já que a série original foi encerrada há 15 anos. “Acredito que os fãs apreciariam uma proposta que mantenha aquele espírito”, afirmou Daniels.
A ideia central surgiu de um elemento em comum: o papel. “A conexão estava no papel, já que em ‘The Office’ a empresa lidava com a venda de papel. A ideia de que esse material era visto por outro conglomerado apenas como uma mercadoria… sem valorização de seu impacto na democracia e na cultura dos jornais”, explicou. “The Office” retrata o cotidiano caótico dos colaboradores da Dunder Mifflin, onde o chefe Michael Scott (Steve Carell) cria situações embaraçosas, enquanto seus colegas tentam lidar com o tédio e as dinâmicas de trabalho absurdas.
Para a dupla, o teste decisivo para avançar com a produção foi a reflexão sobre o quanto consumiriam o conteúdo caso ele fosse real. “A pergunta para avaliar se um tema é bom para uma comédia documental é: eu assistiria a isso se fosse um documentário autêntico? E definitivamente eu assistiria a um documentário real sobre um jornal local e suas lutas diárias”, comentou Koman. “Portanto, parecia que isso poderia ser genuíno”.
“The Paper” traz no elenco Domhnall Gleeson (“Star Wars”, “Ex-Machina”) no papel principal de um idealista que busca salvar o Toledo Truth Teller, ao lado de talentos menos conhecidos, como Sabrina Impacciatore (“The White Lotus”).
Jornalismo, desinformação e a busca pela verdade
Ambientada em uma redação, “The Paper” aborda inevitavelmente questões contemporâneas, como a desinformação. Entretanto, a abordagem é mais fundamental. “Os personagens não são jornalistas profissionais; são indivíduos motivados por uma missão. Eles estão aprendendo o básico do jornalismo na prática”, disse Daniels.
Muitas questões éticas e práticas surgem para eles no que diz respeito à verificação de informações. “É importante que as pessoas percebam a necessidade de checar as informações duas vezes”, ressaltou Greg Daniels. Koman enfatizou que o foco está no básico. “Os grandes problemas que o jornalismo enfrenta atualmente são complexos demais para o nível de compreensão da maioria dos personagens. Eles estão realmente tentando entender o que significa ser um jornalista”.
Quando questionados se a série é uma homenagem à imprensa, os criadores foram diretos. “As pessoas ainda têm um enorme apreço por grandes histórias do jornalismo no passado”, refletiu Daniels, esperando que a série desperte um novo interesse pela profissão. Koman vê a narrativa como um romantismo sobre a carreira. “Eu realmente idealizo uma certa visão do jornalismo. Trata-se de tentar tornar possível uma ideia romântica do trabalho que você faz na realidade moderna”.
Daniels compartilhou uma experiência pessoal. “Tenho uma filha no ensino médio que está envolvida no jornal da escola. É inspirador ver como o jornal escolar aborda questões relevantes… a crença apaixonada de que, ao expor as coisas, eles podem provocar mudanças”.
“The Paper” estreia hoje na HBO Max e, ao longo de dez episódios, promete ser uma sucessora espiritual de “The Office”, combinando o humor característico do mockumentary com uma visão carinhosa e atual sobre a luta pela sobrevivência de uma instituição fundamental para a democracia: o jornalismo.