A série “Ângela Diniz: Assassinada e Condenada” estreia hoje na HBO Max, retratando a trágica história da socialite assassinada por seu namorado, Doca Street, em 1976.
Alegação de legítima defesa da honra
Inicialmente, Doca foi sentenciado a apenas dois anos de prisão. Sua defesa conseguiu, de maneira controversa, argumentar que os quatro tiros disparados contra Ângela foram em “legítima defesa da honra”, alegando que o estilo de vida dela prejudicava sua reputação. Em um julgamento posterior, a pena foi aumentada para 15 anos.
Somente em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a inconstitucionalidade do uso dessa tese em casos de feminicídio e agressão. A ministra Cármen Lúcia, na ocasião, destacou que “a sociedade ainda é marcada por machismo, sexismo e misoginia, e mulheres são mortas simplesmente por desejarem controlar suas próprias vidas”.
Na série, o papel de Doca é interpretado por Emílio Dantas, que, em entrevista à Splash durante a pré-estreia, comentou que a produção não se concentra nas motivações do assassino, mas sim na relação dele com Ângela. Ele evitou buscar justificativas para as ações de Doca em sua interpretação: “Minha busca foi por uma semelhança física para representar o personagem, mas o foco era deixar Ângela brilhar, reconhecendo que Doca é apenas um satélite em sua história”.
Marjorie Estiano, que dá vida à protagonista, compartilhou que ainda hoje carrega traços de Ângela. “A companhia dela durante todo esse processo foi gratificante. É como um convite: ‘fique presente, viva sua vida como quiser’. Essas mensagens de liberdade e autovalorização estão sempre comigo”, disse a atriz sorrindo.
Emílio solicitou ao diretor Andrucha Waddington que removesse uma cena do roteiro, não se sentindo confortável em gravar o momento em que Doca atira em Ângela, pois desejava mais informações sobre o que realmente aconteceu naquele dia. “Sabemos que foi um feminicídio, mas não podemos assumir uma interpretação disso. É nossa responsabilidade em produções de true crime”, refletiu.
Yara de Novaes, que interpreta a mãe de Ângela, também enfrentou desafios em uma cena específica. A atriz se emocionou ao gravar o último encontro entre Maria Diniz e sua filha, tendo que controlar sua emoção, já que a personagem não sabia que seria a despedida. “Foi uma experiência intensa. Pensei em mim como mãe e em como tragédias podem impactar a vida das pessoas”, considerou.