Famílias e empresas brasileiras desembolsaram R$ 674 bilhões em juros nos primeiros seis meses de 2026, segundo levantamento da FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo). O valor representa um aumento de 7,4% em relação ao mesmo período de 2025 e reflete o encarecimento do crédito no país.
As famílias responderam pela maior parte desse montante. Entre janeiro e junho, os gastos das pessoas físicas com juros chegaram a aproximadamente R$ 515,4 bilhões, alta próxima de 10% na comparação anual. Já as empresas desembolsaram R$ 158,6 bilhões no período.
Crédito mais caro não reduz procura por empréstimos
O avanço das despesas ocorre em um cenário de elevação das taxas cobradas nas operações de crédito. De acordo com a FecomercioSP, a taxa nominal ponderada acumulada passou de 24,3% no primeiro semestre de 2025 para 25,3% nos seis primeiros meses de 2026.
Mesmo com o custo maior para contratar empréstimos e financiamentos, a demanda das famílias por crédito continuou crescendo. O saldo real do crédito livre destinado às pessoas físicas aumentou 6,1% e alcançou R$ 2,353 trilhões. As concessões, que representam os novos empréstimos liberados, avançaram 5,1% no período.
Os dados indicam que o encarecimento do dinheiro não interrompeu a busca dos consumidores por crédito. Ao mesmo tempo, o crescimento do saldo contratado elevou o volume de juros pagos pelas famílias, que já concentram a maior parcela da despesa total registrada no levantamento.
Inadimplência das famílias também aumenta
O levantamento aponta ainda uma piora na capacidade de pagamento dos consumidores. Os atrasos superiores a 90 dias passaram a atingir 7,37% das pessoas físicas, depois de uma elevação de 1,78 ponto percentual nesse indicador.
Para a FecomercioSP, a deterioração ocorreu de forma expressiva ao longo dos últimos dois anos. “Em apenas dois anos, houve uma deterioração expressiva da capacidade de pagamento. […] Os lares com dívidas permanecem em patamar elevado”, afirmou a entidade em nota de pesquisa.
A federação calcula que 3,4 milhões de lares tenham dívidas. Esse é o maior patamar registrado desde 2022, reforçando o impacto do crédito mais caro sobre o orçamento das famílias e sobre a capacidade de honrar os compromissos assumidos.
Empresas mantêm despesas elevadas mesmo com menos crédito
Entre as empresas, o comportamento identificado pela pesquisa é diferente. O gasto total com juros permaneceu praticamente estável na comparação entre 2025 e 2026, apesar da redução nas operações de crédito.
Segundo a FecomercioSP, a despesa continuou elevada porque as concessões ficaram mais caras. Dessa forma, mesmo com um saldo menor de crédito contratado pelas empresas, o aumento do custo das operações compensou a retração no volume de crédito e manteve os desembolsos com juros em nível elevado.
Somados os gastos de famílias e empresas, os R$ 674 bilhões pagos no primeiro semestre de 2026 mostram o peso das taxas de juros sobre consumidores e companhias. No caso das famílias, o avanço das despesas veio acompanhado de maior utilização do crédito e do aumento da inadimplência. Para as empresas, a pressão decorreu principalmente do encarecimento das concessões.