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Ativos de fundos de pensão brasileiros crescem 82% em uma década, atingindo R$ 1,438 trilhão

•Reprodução/CNN Money

Os ativos das entidades fechadas de previdência complementar no Brasil aumentaram aproximadamente 82% em termos nominais ao longo dos últimos dez anos, passando de R$ 790 bilhões em 2016 para R$ 1,438 trilhão em junho de 2026. Este montante corresponde a cerca de 11% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, de acordo com dados divulgados pela Abrapp (Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar) durante o 47º Congresso Brasileiro de Previdência Privada, realizado em São Paulo nesta quarta-feira (21).

O crescimento contínuo dos ativos ao longo da década reflete uma expansão gradual, com picos intermediários em anos específicos. Em 2020, o patrimônio atingiu R$ 1,049 trilhão; em 2022, R$ 1,176 trilhão; em 2024, R$ 1,275 trilhão; e em 2025, R$ 1,374 trilhão. Segundo Devanir Silva, diretor-presidente da Abrapp, essa evolução se deve, em grande parte, à qualificação técnica das equipes responsáveis pela gestão desses ativos, que desempenham papel fundamental na manutenção da saúde financeira do sistema de previdência complementar fechada e na economia brasileira como um todo.

Durante o evento, Silva destacou que o patrimônio das entidades de previdência é formado com o objetivo de garantir benefícios de longo prazo, ao mesmo tempo em que exerce impacto relevante na economia nacional. Em junho de 2026, a carteira de investimentos dessas entidades totalizava R$ 1,362 trilhão, com a preferência dos gestores concentrada na renda fixa, que representava 86,1% do total, ou seja, aproximadamente R$ 1,173 trilhão. Desse montante, R$ 264,1 bilhões estavam investidos em títulos públicos, enquanto R$ 900,7 bilhões estavam aplicados em fundos de investimento do segmento.

Por outro lado, a participação da renda variável na carteira sofreu uma redução significativa, passando de 15,8% em 2021 para 6,7% em junho de 2026, o que equivale a R$ 91,3 bilhões. Desse total, R$ 55,7 bilhões estavam investidos diretamente em ações. Especialistas como o economista Ricardo Amorim explicam que, enquanto a taxa de juros no Brasil permanecer elevada, não há incentivo para diversificação de investimentos por parte dos fundos de pensão. Amorim afirma que, devido ao alto juro real, os gestores tendem a preferir títulos públicos com vencimentos longos, que oferecem retornos superiores à meta atuarial, geralmente fixada em torno de 6% ao ano acima da inflação.

Para o encerramento de 2026, a Abrapp projeta que os ativos totais das entidades possam alcançar R$ 1,51 trilhão, reforçando a solidez do setor. Além da robustez financeira, a previdência complementar fechada atualmente protege cerca de 8,4 milhões de pessoas, incluindo participantes ativos, dependentes e beneficiários. Em 2025, as entidades realizaram pagamentos de aproximadamente R$ 82 bilhões em benefícios, abrangendo aposentadorias programadas, invalidez e pensões.

A entidade também aponta um desafio importante: cerca de 50 milhões de brasileiros permanecem fora do sistema previdenciário formal, principalmente devido ao crescimento do trabalho autônomo, informal e por plataformas digitais. Como resposta, o setor discute a implementação de um modelo de micropensões inspirado em experiências internacionais, que visa criar alternativas de proteção de longo prazo para trabalhadores que atualmente encontram dificuldades de acesso aos modelos tradicionais de previdência complementar.

Devanir Silva reforça a importância de incluir esses profissionais, muitas vezes considerados “um verdadeiro exército de invisíveis”, como motoristas de aplicativos, entregadores e autônomos que atuam na internet. Segundo ele, a formação de reservas previdenciárias vinculadas ao CPF, com contribuições de baixo valor e possibilidade de aportes das próprias plataformas digitais, pode garantir uma aposentadoria digna para esses trabalhadores, promovendo maior autonomia e segurança na velhice. Trata-se de um sistema de capitalização que se beneficia do regime de juros compostos, favorecendo a formação de patrimônio ao longo do tempo.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade