A demanda global por petróleo deve sofrer uma retração maior do que o previsto inicialmente para 2026, impactada por fatores como a guerra envolvendo o Irã, o aumento nos preços dos combustíveis e a deterioração das perspectivas econômicas mundiais, conforme aponta o relatório mensal divulgado nesta quarta-feira (14) pela Agência Internacional de Energia (AIE). A entidade revisou suas projeções de consumo, estimando uma queda média de 2,6 milhões de barris por dia (bpd) em 2026, frente à previsão anterior de uma redução de 2,5 milhões de bpd. Para o quarto trimestre deste ano, a expectativa é de uma retração de 2,5 milhões de bpd na comparação com o mesmo período de 2025.
Apesar da redução na demanda, o mercado de petróleo deve permanecer em déficit até o final de 2023, principalmente devido às restrições na oferta de derivados médios, como o diesel. A AIE destaca que o diesel representará aproximadamente 25% da queda total na demanda prevista para 2026 e alerta que a disponibilidade global do produto continua sob forte pressão. Essa situação reforça a vulnerabilidade do mercado diante de possíveis interrupções na oferta.
No aspecto da oferta, a agência afirma que a recuperação da volume de petróleo disponível ainda é “frágil”, especialmente diante de novos ataques à infraestrutura energética e ao tráfego de petroleiros na região do Golfo Pérsico. Em setembro, a produção global de petróleo aumentou 2,5 milhões de bpd em relação a agosto, atingindo 102,3 milhões de bpd, impulsionada principalmente pelos produtores do Golfo, com destaque para a Arábia Saudita, que liderou os ganhos com um incremento de 2,1 milhões de bpd. Os Emirados Árabes Unidos também contribuíram para o aumento, entre os países fora do cartel Opep+.
Entretanto, a previsão para 2026 indica que essa oferta global deverá cair 5,8 milhões de bpd, chegando a uma média de 100,7 milhões de bpd, antes de retomar o crescimento em 2027, com uma projeção de aumento de 7,7 milhões de bpd. A agência estima que, no próximo ano, a recuperação na demanda será apenas parcial, na ordem de 2 milhões de bpd, mantendo o consumo global em 2027 ainda 620 mil bpd (0,6%) abaixo do nível de 2025.
A questão dos estoques também evidencia sinais de aperto no mercado. Os estoques globais recuaram 10 milhões de barris em setembro, com uma redução adicional de 113 milhões de barris nas reservas em terra, parcialmente compensada pelo aumento de petróleo armazenado no mar. Ao final do mês, os estoques estavam 509 milhões de barris abaixo dos níveis pré-guerra, atingindo os menores patamares desde pelo menos 2016.
No setor de refino, a AIE projeta que a carga global das refinarias atinja uma mínima sazonal de 81,3 milhões de bpd em outubro, recuperando-se até o final do ano para cerca de 84,6 milhões de bpd. A agência aponta que os custos recordes de frete marítimo e do petróleo comprimiram as margens na Europa e na Ásia, enquanto, nos Estados Unidos, a utilização de matérias-primas com desconto elevou as margens a níveis inéditos.
O relatório também destaca a forte valorização dos preços do petróleo no mercado físico, com o Brent Dated, referência do Brent no mercado spot, avançando US$ 26,17 por barril em setembro, para US$ 116,89, impulsionado pelas retomadas das hostilidades no Oriente Médio e por compras aceleradas de refinarias na Ásia. A AIE avalia que, sem uma resolução para os conflitos em curso, o mercado de petróleo pode continuar enfrentando turbulências nos próximos meses, antes que um possível superávit de oferta seja observado em 2027.