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FMI mantém previsão de crescimento global de 3,1% para 2026 e eleva estimativa para 2027

•24 de novembro de 2024. REUTERS/Benoit Tessier/Foto de arquivo

O Fundo Monetário Internacional (FMI) confirmou sua previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial em 3,1% para o ano de 2026, conforme divulgado no relatório Perspectivas Econômicas Mundiais. Para 2027, a instituição revisou positivamente suas expectativas, elevando a projeção de expansão econômica global para 3,4%. Esses números indicam uma continuidade na recuperação da economia mundial, que, segundo o FMI, demonstra resiliência, embora de forma desigual e com margens de ajuste cada vez mais estreitas.

Apesar de conflitos prolongados, como a guerra no Oriente Médio, e de tensões comerciais persistentes, os dados do primeiro semestre de 2026 surpreenderam positivamente, com a atividade econômica global ficando acima do esperado. Esse desempenho foi impulsionado por adaptações nas cadeias de produção e transporte, além de um ciclo de investimentos relacionado à inteligência artificial, que tem se mostrado um fator de estímulo para diversos setores.

Contudo, a estabilidade do crescimento agregado global oculta uma redistribuição de resultados entre diferentes países. Economias com menor exposição a choques de energia e maior participação em ciclos tecnológicos tendem a manter ou fortalecer sua atividade econômica. Em contrapartida, países que dependem de importação de energia e possuem menor ligação às cadeias de tecnologia enfrentam condições mais desfavoráveis, com custos elevados e demanda mais fraca, o que pode prejudicar sua recuperação.

Nos países avançados, o FMI estima uma expansão de 2,1% em 2026 e 1,8% em 2027. Nos Estados Unidos, a previsão é de crescimento de 2,3% para ambos os anos, mantendo a estimativa de abril para 2026 e revisando levemente para cima, em 0,2 ponto porcentual, para 2027. Na zona do euro, o crescimento deve atingir 1,1% em 2026 e 1,2% em 2027, sem alterações em relação às previsões de abril. Entre os países do bloco, a Alemanha apresenta projeções de 1,3% em 2026 e 1,1% em 2027, enquanto França e Itália apresentam ritmos de expansão mais moderados, de 0,4% e 0,7%, e 0,8% e 0,6%, respectivamente. O Japão deve crescer 0,7% em ambos os anos.

Para as economias emergentes e em desenvolvimento, o FMI projeta crescimento de 3,7% em 2026 e 4,4% em 2027, com destaque para a Ásia emergente, que deve expandir-se 5,1% em 2026 e 4,9% em 2027. A China, por sua vez, desacelera para 4,5% em 2026 e 4,0% em 2027, após uma alta de 0,1 ponto porcentual na previsão para 2026 em relação a abril, enquanto a estimativa para 2027 permanece inalterada. A Índia mantém crescimento de 7,0% em ambos os anos, consolidando sua posição como uma das principais economias de maior expansão global.

No Brasil, o FMI prevê crescimento de 2,2% em 2026, uma redução de 0,2 ponto porcentual em relação à projeção de julho, e de 1,9% em 2027, após alta de 2,3% em 2025. Essas revisões refletem uma tendência de desaceleração, embora o país continue a apresentar uma recuperação moderada. Na América Latina e Caribe, a expectativa é de crescimento de 2,3% em 2026 e 2,5% em 2027, enquanto no Oriente Médio e Ásia Central as projeções indicam 0,3% e 6,3%, respectivamente, para esses anos. A Arábia Saudita, em particular, deve registrar crescimento de 3,3% em 2026 e 7,9% em 2027, impulsionada por fatores internos e preços de commodities.

O relatório também aponta uma elevação temporária na inflação global, que deve atingir 4,7% em 2026 e recuar para 4,1% em 2027. Essa aceleração, especialmente em 2026, é atribuída ao aumento nos preços de energia e alimentos, agravado pela volatilidade decorrente dos conflitos internacionais. Quanto ao comércio mundial de bens e serviços, a expectativa é de desaceleração para 4,6% em 2026, com estabilidade em 4,7% em 2027, refletindo efeitos de tarifas e rearranjos nas cadeias produtivas, apesar do crescimento sustentado no setor tecnológico.

O FMI reforça que os riscos para a economia global permanecem inclinados a uma piora, com a possibilidade de uma escalada ou prolongamento dos conflitos, o que poderia manter os preços de energia e alimentos elevados e voláteis, além de reativar pressões inflacionárias e reduzir o crescimento econômico, sobretudo para países importadores de energia e de baixa renda. Por outro lado, o cenário mais favorável pode ser comprometido por reavaliações nas perspectivas de lucro e produtividade relacionadas à inteligência artificial, o que poderia gerar correções nos mercados financeiros e dificultar o ambiente de negócios.

Diante dessas perspectivas, o FMI recomenda que os governos busquem reconstruir espaço fiscal em um contexto de elevada dívida e juros altos, adotando medidas temporárias e focalizadas para mitigar os efeitos de aumentos nos preços de energia e alimentos, sem comprometer a sustentabilidade fiscal. Além disso, a instituição sugere que as políticas monetárias sejam calibradas de acordo com as condições específicas de cada país, buscando um equilíbrio entre o combate à inflação e a manutenção do crescimento. Por fim, destaca a importância de reforçar a segurança energética, ampliar a adoção de novas tecnologias e preservar canais de comércio e cooperação internacional como estratégias essenciais para o fortalecimento da economia global no médio prazo.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade