As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DIs) voltaram a diminuir nesta sexta-feira, dia 9 de outubro, especialmente nos vencimentos de longo prazo, após duas novas pesquisas eleitorais apontarem o senador Flávio Bolsonaro (PL) na liderança da disputa pelo Palácio do Planalto. Essa movimentação no mercado financeiro ocorreu em um cenário em que os investidores priorizaram as informações políticas, deixando de lado, por ora, os dados de inflação divulgados na manhã do mesmo dia, que mostraram o IPCA de setembro acima das expectativas.
Ao final do expediente, a taxa do DI para janeiro de 2028 registrou 12,52%, uma redução de 3 pontos-base em relação ao fechamento anterior, que foi de 12,548%. Na ponta longa da curva de juros, a taxa do DI para janeiro de 2035 recuou 23 pontos-base, atingindo 12,37%, ante 12,604% na sessão anterior. Essas quedas acumuladas na semana alcançaram 99 pontos-base para o vencimento de 2028 e 176 pontos-base para o vencimento de 2035, refletindo uma forte expectativa de mudança no cenário político, após Flávio Bolsonaro ter superado Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno das eleições, realizado no domingo passado.
As pesquisas divulgadas na quinta-feira e nesta sexta-feira reforçaram essa percepção. A pesquisa do Datafolha, divulgada na noite de quinta-feira, apontou Flávio com 49% das intenções de voto no segundo turno, contra 45% de Lula. Considerando a margem de erro de 2 pontos percentuais, os dois candidatos estão tecnicamente empatados. Os indecisos representam apenas 1%, enquanto 5% dos entrevistados afirmaram que votarão em branco, anularão o votação ou não votarão em nenhum candidato.
Na manhã desta sexta-feira, a pesquisa Atlas/Bloomberg trouxe números que reforçam a liderança de Flávio, indicando 51,1% das intenções de voto contra 45,7% de Lula. Com uma margem de erro de 1 ponto percentual, essa diferença coloca o senador fora do limite do empate técnico, consolidando sua vantagem na disputa. Além disso, a parcela de eleitores indecisos ou que pretendem votar em branco ou anular o voto caiu de 5% para 3,2%, indicando maior consolidação do cenário de liderança de Flávio.
A confirmação de que Flávio Bolsonaro lidera a corrida ao Palácio do Planalto no segundo turno, marcado para 25 de outubro, impactou positivamente o mercado financeiro nacional. O dólar apresentou queda, assim como a curva de juros, enquanto o índice Bovespa registrou avanços. Muitos analistas acreditam que, caso o senador seja eleito, haverá maior controle das contas públicas, embora ele ainda não tenha apresentado propostas concretas de ajuste fiscal. Essa expectativa de maior estabilidade fiscal favorece a expectativa de juros mais baixos, o que se refletiu na semana na redução dos prêmios nas curvas de juros de longo prazo, mais sensíveis às questões fiscais.
Por volta das 16h11, a taxa do DI para janeiro de 2035 atingiu sua mínima intradiária de 12,330%, uma queda de 27 pontos-base. Essa movimentação no mercado de juros ocorreu em meio à divulgação do IPCA de setembro, que subiu 0,82%, acima da expectativa de 0,73% dos economistas consultados pela Reuters. Em 12 meses, a inflação acumulada foi de 4,58%, levemente acima do teto de 4,5% da meta de inflação estabelecida pelo Banco Central.
O aumento do IPCA reforçou a percepção de pressões inflacionárias, especialmente no setor de serviços, que avançou de 0,03% em agosto para 0,61% em setembro. A taxa de serviços subjacentes, que exclui itens mais voláteis, passou de 0,40% para 0,36%, segundo cálculos do banco Bmg. A inflação de serviços intensivos em mão de obra também apresentou leve alta, de 0,55% para 0,57%. Ainda de acordo com o Bmg, a média dos núcleos de inflação calculados pelo Banco Central aumentou de 0,22% para 0,36%.
O economista-chefe do banco, Flávio Serrano, afirmou que os números apresentaram surpresas pontuais, mas não alteram o cenário inflacionário atual. Segundo ele, as pesquisas eleitorais contribuíram para a redução dos juros futuros, ao reforçar a expectativa de uma eventual maior estabilidade fiscal sob a liderança de Flávio Bolsonaro. Serrano trabalha com uma possibilidade de corte de 25 pontos-base na taxa Selic em novembro, na primeira reunião de política monetária após as eleições, e uma nova redução de igual magnitude em dezembro. Atualmente, a taxa básica de juros está em 13,75% ao ano.
A economista Basiliki Litvac, da XP, também projeta dois cortes de 25 pontos-base na Selic em novembro e dezembro, além de novas reduções ao longo de 2027, com expectativa de que a taxa chegue a 11,50%. Apesar das perspectivas de juros mais baixos, os analistas permanecem cautelosos devido a fatores externos, como a guerra no Oriente Médio, que pressiona os preços do petróleo, e o fenômeno climático El Niño, que aumenta os custos de alimentos.
Na tarde de sexta-feira, o governo federal anunciou a ampliação de subsídios para gasolina, etanol e diesel, com validade de 30 dias e custo adicional de aproximadamente R$ 2,7 bilhões, como resposta às pressões inflacionárias geradas pela guerra no Oriente Médio. Por outro lado, os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries, subiram na mesma sessão, com o rendimento do título de dez anos atingindo 5,246%, alta de 1 ponto-base às 16h39, refletindo um movimento contrário ao observado no mercado brasileiro.