As ações de empresas farmacêuticas negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (B3) apresentaram queda expressiva nesta segunda-feira, dia 24 de outubro, mesmo em um dia marcado pelo anúncio de expansão do Mercado Livre no segmento de varejo farmacêutico no Brasil. O movimento de baixa reflete, possivelmente, a preocupação do mercado com o impacto de novas concorrências e mudanças no setor, apesar do otimismo declarado pela gigante do comércio eletrônico.
A maior queda foi registrada pelas ações da rede Pague Menos (código PGMN3), que chegou a desvalorizar quase 10% durante o pregão. Os papéis, que estão listados em segmentos secundários da B3, como o Índice Small Caps (SMLL), encerraram o dia com uma perda de 8%, cotados a R$ 0,30. A Pague Menos é reconhecida como a segunda maior rede de farmácias do Brasil em número de lojas, o que torna o movimento de queda relevante para o setor.
Outro destaque negativo foi a ação da Panvel (PNVL3), rede de farmácias com forte presença na região Sul do país e em São Paulo. As ações da empresa também estavam presentes no índice Brasil Amplo (IBrA) e no SMLL, e chegaram a acumular uma queda superior a 6% no início do pregão. No final do dia, a desvalorização foi de 4,9%, com as ações fechando cotadas a R$ 0,64. Essa movimentação demonstra a sensibilidade do mercado às notícias relacionadas ao setor farmacêutico, mesmo diante de um cenário de expansão de players como o Mercado Livre.
A empresa RD Saúde, resultado da fusão entre Raia Drogasil e Droga Raia, também apresentou desempenho negativo, registrando uma baixa de 5,38% na Bolsa, com suas ações fechando a R$ 18,45. Como uma das principais companhias do setor, a queda da RD Saúde reflete a volatilidade enfrentada por grandes grupos diante de movimentos de mercado e possíveis mudanças na dinâmica competitiva.
O índice Ibovespa, principal indicador da Bolsa brasileira, encerrou a sessão com uma queda de 0,99%. Já os índices SMLL e IBrA tiveram perdas de 0,62% e 0,97%, respectivamente. O dia de baixa ocorre em meio a uma movimentação significativa no setor farmacêutico, impulsionada pelo anúncio do Mercado Livre de ampliar sua atuação na área de farmácias.
Na tarde desta segunda-feira, a plataforma de comércio eletrônico anunciou a expansão de seu negócio de varejo farmacêutico no Brasil. A iniciativa inclui o início das vendas de produtos sob prescrição médica na farmácia própria do Mercado Livre, localizada em São Paulo, a partir deste mês. Além disso, a empresa revelou que passará a permitir a inclusão de terceiros no marketplace de medicamentos a partir de outubro. Segundo Fernando Yunes, vice-presidente-executivo e líder da operação no país, a expectativa é de que o serviço seja capaz de realizar entregas em até uma hora, o que reforça a intenção de competir de forma mais agressiva no segmento de saúde e bem-estar.
A movimentação do mercado reflete, portanto, um momento de incerteza e de ajustes no setor farmacêutico brasileiro, diante de novas entradas e estratégias de empresas de grande porte como o Mercado Livre. A reação negativa das ações das farmacêuticas demonstra a cautela dos investidores frente às mudanças no cenário competitivo, mesmo com o potencial de crescimento anunciado pelas novas operações.