O presidente do Federal Reserve de Chicago, Austan Goolsbee, declarou nesta segunda-feira, 21 de outubro de 2023, que a economia dos Estados Unidos enfrenta um novo padrão de recorrência de grandes choques de oferta, o que torna mais difícil a redução da inflação para a meta de 2%. Durante um evento realizado em Londres, Goolsbee destacou que, atualmente, esses choques, causados por fatores como guerras, tarifas, mudanças climáticas, interrupções nas cadeias de suprimentos e oscilações no preço do petróleo, tornaram-se uma característica regular da economia global, exigindo maior cautela por parte das autoridades monetárias.
Segundo o dirigente, os bancos centrais, incluindo o Federal Reserve, não devem ignorar esses choques persistentes, embora essa estratégia ainda seja adequada para lidar com perturbações temporárias. Ele ressaltou que, nos Estados Unidos, a frequência, a intensidade e a duração desses choques têm sido maiores do que inicialmente previsto, o que complica a trajetória de controle da inflação. Goolsbee citou exemplos recentes, como as dificuldades nas cadeias de suprimentos após a pandemia de COVID-19, o impacto das tarifas comerciais e a alta do petróleo decorrente do conflito no Oriente Médio, que agravaram as pressões inflacionárias.
O presidente do Fed de Chicago afirmou que, ao ocorrer um grande choque de oferta, a expectativa deve ser de que sua duração seja maior do que o inicialmente estimado. Ele reforçou que, para avançar na redução da inflação, é fundamental que o Federal Reserve observe sinais claros de que essas pressões estão realmente diminuindo. Atualmente, as previsões de especialistas indicam que o pico da inflação relacionada ao petróleo, tarifas e commodities deve ocorrer apenas em algum momento de 2027, o que demonstra a dificuldade de se alcançar a meta de 2% de inflação em curto prazo.
Goolsbee destacou que, para o banco central, é imprescindível obter evidências concretas de que os choques de oferta estão desaparecendo, pois, sem esses sinais, torna-se difícil vislumbrar um caminho crível para a volta da inflação ao patamar desejado. Apesar de admitir que a resposta monetária a esses choques pode ser menor do que a adotada em situações de superaquecimento da demanda, ele ressaltou que ela não pode ser totalmente inexistente.
O dirigente também alertou que o ajuste necessário para lidar com esses choques envolve custos mais elevados para a atividade econômica e o mercado de trabalho, refletindo o que ele chamou de “doloroso trade-off” típico de cenários de estagflação. Assim, a postura do Federal Reserve diante de choques de oferta persistentes continuará sendo de cautela, buscando equilibrar o controle inflacionário com os impactos sobre o crescimento econômico e o emprego.