As principais bolsas de valores da Europa operaram de forma dispersa nesta quinta-feira, 3 de novembro, com sinais de cautela predominando diante de pressões inflacionárias e oscilações nos mercados de energia. O movimento foi influenciado, em parte, pela reversão do petróleo para alta, após uma fase de alívio, e por sinais de dificuldades na retomada de fluxos comerciais pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas de petróleo do mundo. Esses fatores contribuíram para a manutenção de um cenário de incerteza, refletido na estabilidade ou ligeiro recuo dos principais índices regionais.
Por volta das 7h29 (horário de Brasília), o índice pan-europeu Stoxx 600 permanecia praticamente estável, situando-se em 645,97 pontos, indicando uma ausência de direção clara no mercado. Da mesma forma, a Bolsa de Londres, uma das mais relevantes do continente, aproximava-se da estabilidade, sem grandes oscilações. Na Alemanha, o índice DAX recuava 0,17%, enquanto em Paris o CAC 40 registrava uma queda de 0,36%. Em contraste, Milão apresentou uma leve alta de 0,05%, enquanto Madri cedia 0,3% e Lisboa perdia 0,06%. Apesar do recuo, a Bolsa de Madri conseguiu registrar uma alta de 0,3% em determinado momento do dia.
No cenário de dados econômicos, os indicadores de inflação continuam a demonstrar o impacto do aumento dos preços de energia na região. O índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) da zona do euro subiu acima do esperado em julho, refletindo pressões inflacionárias persistentes. Além disso, na Suíça, a inflação de agosto atingiu o maior nível desde 2024, impulsionada pelo aumento nos custos de energia, o que reforça a preocupação com o avanço da inflação na Europa.
Os mercados também acompanharam dados de atividade econômica, como os índices de gerentes de compra (PMI) do setor de serviços na zona do euro, Alemanha e Reino Unido. Esses indicadores, contudo, não tiveram impacto significativo nos preços dos ativos nesta sessão. Destaca-se que, na Alemanha, o Instituto Ifo revisou para cima suas previsões de crescimento econômico, apoiado pelo desempenho das exportações e pelo aumento nos investimentos públicos, o que sugere otimismo moderado em relação ao cenário econômico do país.
No mercado de commodities, os contratos futuros do petróleo Brent voltaram a subir, com uma alta superior a 1%, revertendo o alívio momentâneo observado anteriormente. Essa mudança de humor foi influenciada por preocupações sobre possíveis entraves ao fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o petróleo mundial. Por outro lado, os preços do gás natural continuam em queda, com o contrato do Dutch TTF para outubro, principal referência na Europa, negociado a 72,61 euros por megawatt-hora, uma baixa de 1,39%, às 7h13 (horário de Brasília), na ICE.
No segmento de ações, as companhias do setor de telecomunicações na Londres tiveram bom desempenho, com Airtel África e Vodafone subindo mais de 3%, ajudando a sustentar o índice FTSE 100. Em Paris, o setor de luxo enfrentou pressões de venda, com marcas como Hermès, que perdeu 3,4%, Kering, com queda de 2,8%, e LVMH, recuando 2,5%. A empresa de óculos de grau EssilorLuxottica também sofreu uma baixa de 2,3%. As montadoras alemãs permanecem sob pressão, com Volkswagen, Daimler Truck e BMW registrando quedas de 0,7%, 0,6% e 0,6%, respectivamente, refletindo a volatilidade no setor automotivo europeu.