Uma pesquisa internacional revela que somente 30% dos brasileiros avaliam o Brasil como um país seguro para os jovens, um percentual que está 18 pontos percentuais abaixo da média global de 48%. Os dados fazem parte do Education Monitor 2026, estudo realizado pela Ipsos com 23.537 adultos em 31 países diferentes, entre os dias 19 de junho e 3 de julho de 2026. O resultado brasileiro está entre os mais baixos registrados na pesquisa, ficando ao lado de outros países com altas taxas de insegurança percebida, como Peru (30%), África do Sul (29%) e França (28%).
A pesquisa evidencia que a sensação de insegurança não se limita ao ambiente físico, estendendo-se também ao espaço digital. Apenas 32% dos brasileiros consideram os ambientes virtuais seguros para os jovens, enquanto 61% discordam dessa afirmação. Nesse contexto, a maioria da população manifesta preocupação com o uso de redes sociais por crianças e adolescentes, apoiando a proibição do uso de plataformas por menores de 14 anos. O levantamento aponta que 67% dos brasileiros são favoráveis a essa restrição, embora o índice seja inferior à média global de 73%.
Outro aspecto destacado pelo estudo é a opinião dos brasileiros sobre o uso de inteligência artificial (IA) nas escolas. A questão gerou opiniões divididas: 30% defendem a proibição de ferramentas de IA no ambiente escolar, enquanto 42% são contrários à medida, e 28% não têm uma posição definida. Países como Canadá, Irlanda e Estados Unidos apresentam maior apoio ao banimento da IA nas instituições de ensino, com percentuais de 59%, 57% e 56%, respectivamente.
Além do levantamento internacional, uma pesquisa conduzida pelo Instituto Sou da Paz, em parceria com a OMA Pesquisa, reforça a percepção de insegurança no Brasil. Realizado em novembro de 2025, o estudo entrevistou 1.115 pessoas em 40 municípios de todas as regiões do país, com uma margem de erro de três pontos percentuais. Os resultados indicam que apenas 47% dos entrevistados se sentem seguros no bairro onde moram, enquanto 59% afirmam sentir-se seguros na própria rua. Quando o escopo é ampliado para toda a cidade, esse índice despenca para 32%.
A mesma pesquisa revela que 94% dos brasileiros consideram suas cidades de alguma forma violentas, sendo que 42% classificam o local onde vivem como “muito violento”. Esses números refletem uma percepção generalizada de insegurança e vulnerabilidade, que se mantém presente na rotina da população brasileira, mesmo com as diferentes regiões do país. Os dados reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas à segurança e ao bem-estar dos jovens, além de apontar para um cenário de preocupação crescente com a integridade física e digital da população.