Na última quarta-feira (18/3), o governo federal apresentou uma lista das empresas que acumularam o maior número de multas por não respeitar o piso mínimo do frete. Além disso, anunciou um endurecimento nas penalidades para combater essa prática. Uma das principais ações será a possibilidade de suspender as operações de empresas que reincidirem nas infrações, impedindo-as de atuar no transporte de cargas.
Essa medida surge em meio à crescente insatisfação dos caminhoneiros, que denunciam o não cumprimento da tabela e os impactos da alta do preço do diesel nos custos de suas atividades. O governo está atento ao risco de novas paralisações.
Entre as empresas que mais receberam autuações estão grandes nomes do setor, como BRF, Vibra Energia, Raízen, Ambev e Cargill. Também figuram no ranking de multas empresas como Motz Transportes, TransÁgil, Unilever e a SPAL, responsável pela operação da Coca-Cola no Brasil.
Além da exposição pública dos infratores, o governo planeja intensificar a fiscalização, utilizando sistemas eletrônicos e cruzamento de dados em tempo real para identificar irregularidades de forma mais ágil. A gestão federal reconheceu que as multas não estão cumprindo sua função dissuasória, uma vez que muitas empresas passaram a considerá-las como parte de seus custos operacionais. Assim, a suspensão das atividades é vista como uma forma de tornar a política de preços mínimos do frete mais efetiva.
Os dados reforçam a preocupação do governo: cerca de 40 mil infrações são registradas mensalmente, totalizando aproximadamente R$ 419 milhões em multas apenas nos últimos quatro meses. Estima-se que cerca de 20% das empresas do setor não estejam respeitando o piso estabelecido.
Com o endurecimento das regras, o governo busca garantir uma maior adesão à tabela de fretes e evitar uma nova crise no transporte rodoviário, que é essencial para o abastecimento do país.