Um grupo de ex-ministros de Estado, economistas, empresários e representantes da sociedade civil divulgou neste domingo, 13 de setembro de 2026, uma carta de apoio ao ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). A manifestação ocorre em meio à crise interna que atravessa a Corte há aproximadamente duas semanas, motivada por revelações envolvendo conversas do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente preso sob acusação de fraudes financeiras, e o ministro Alexandre de Moraes.
Na carta, os signatários expressam respaldo às ações tomadas por Fachin até o momento, destacando que tais medidas visam preservar a autoridade do STF diante do momento delicado. Os apoiadores ressaltam a importância de uma apuração rigorosa, imparcial e transparente das graves denúncias que vieram à tona recentemente, vinculando a responsabilização dos envolvidos à manutenção da democracia brasileira. Segundo o documento, “a apuração dos fatos e a responsabilização daqueles que eventualmente violaram a lei e a dignidade de seus cargos são indispensáveis para que possamos recobrar a confiança nas instituições e preservar nossa democracia”.
Além de defender a investigação dos fatos, a carta também enfatiza a necessidade de reformas institucionais urgentes no STF. Os signatários argumentam que a crise evidencia a necessidade de medidas que reforcem a colegialidade, assegurem a imparcialidade dos julgamentos e previnam conflitos de interesse entre os ministros. Entre as propostas estão o estabelecimento de padrões mais rigorosos de conduta, maior transparência nas ações do tribunal e maior controle social sobre suas atividades e integrantes.
Assinam a carta nomes de destaque como os ex-ministros Pedro Malan, Armínio Fraga, Miguel Reale Jr. e José Eduardo Cardozo, além do economista Pérsio Árida e do jornalista Eugênio Bucci. A iniciativa ocorre em um momento de acentuada turbulência no STF, que teve início com a divulgação de conversas envolvendo Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, o que levou a uma crise de confiança na Corte.
Em resposta às revelações, Moraes incluiu acusações contra o ministro André Mendonça no inquérito das Fake News, alegando que ele teria praticado condutas que podem configurar improbidade administrativa, abuso de autoridade e favorecimento político. Como consequência, Fachin decidiu retirar Moraes da relatoria do inquérito das fake news, após troca de acusações entre os ministros. Uma sessão plenária extraordinária está agendada para o dia 15 de setembro, com o objetivo de decidir sobre a abertura de investigações relacionadas às supostas ligações de Moraes com Vorcaro.
Além disso, uma outra sessão está marcada para 23 de setembro, na qual será avaliado o pedido de investigação contra André Mendonça. Segundo Fachin, o procedimento envolvendo Mendonça ainda está em fase de instrução e não possui todos os elementos necessários para ser levado ao plenário neste momento. A transparência e o procedimento público das investigações são considerados essenciais pelos signatários da carta para assegurar a legitimidade do processo e fortalecer a confiança na Corte.
Na carta, Fachin é formalmente chamado a garantir ampla transparência às investigações e à sessão do dia 15, ressaltando a necessidade de que o procedimento seja realizado de forma pública, conforme previsto na Constituição Federal. Os signatários afirmam que o momento representa uma das crises mais graves na história do STF e da República brasileira, e reforçam que a responsabilização dos envolvidos é fundamental para a recuperação da credibilidade das instituições democráticas.
Por fim, a manifestação conclama o STF a evitar que sua jurisdição seja capturada por interesses pessoais, políticos ou econômicos que possam ameaçar o Estado Democrático de Direito, ressaltando a importância de reformas institucionais que garantam a imparcialidade, a transparência e o fortalecimento da colegialidade na Corte.