Funcionários da Caixa Econômica Federal iniciaram nesta quinta-feira, 10 de novembro, uma greve nacional por tempo indeterminado, enquanto o Banco do Brasil realiza uma paralisação parcial nas regiões onde as bases sindicais rejeitaram a proposta de acordo da categoria. As mobilizações ocorrem após meses de negociações entre os bancos e os representantes dos trabalhadores, culminando na assinatura, na quarta-feira, 9 de novembro, de uma nova Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e entidades sindicais de todo o país.
O acordo firmado prevê a reposição integral da inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), além de um aumento real de 0,6% para os anos de 2026 e 2027. Esses reajustes também incidem sobre benefícios como vale-refeição, vale-alimentação, Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e auxílios diversos. Apesar do consenso geral na negociação, divergências específicas permanecem entre os bancos e os sindicatos de funcionários.
Na Caixa, os bancários rejeitaram a proposta de renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) e decidiram pela greve nacional. Segundo a Comissão Executiva dos Empregados (CEE), mais de 90% das bases sindicais presentes nas assembleias rejeitaram a oferta apresentada pela instituição. Os principais pontos de discordância envolvem o plano de assistência médica Saúde Caixa, além de reivindicações por avanços em outros itens negociados desde junho, como condições de trabalho e benefícios adicionais.
A Caixa retomou as negociações nesta quinta-feira, 10, com a realização de uma nova rodada de discussões, porém a orientação das entidades sindicais é manter a greve até que novos avanços sejam apresentados e submetidos às assembleias. Em nota oficial, a instituição afirmou que “mantém o diálogo aberto com as entidades representativas dos empregados e retornou à mesa de negociação com o objetivo de construir um entendimento que contemple os interesses de todas as partes envolvidas”.
O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região destacou que, após mais de duas meses e 13 rodadas de negociação, foi assinada a nova CCT, que tem validade até 31 de agosto de 2028 e cobre cerca de 414 mil bancários distribuídos por aproximadamente 3,6 mil municípios. A convenção foi assinada por 245 entidades sindicais e envolve 171 bancos. Os temas negociados incluem a aplicação da Norma Regulamentadora 1 (NR-1), que trata da segurança e saúde no ambiente de trabalho, além de ações contra metas abusivas, melhorias na saúde mental, combate ao assédio e direito à desconexão fora do horário de expediente.
No Banco do Brasil, a paralisação ocorre de forma parcial, atingindo algumas regiões específicas, como Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Pernambuco e Florianópolis, onde as bases sindicais rejeitaram a proposta da categoria. Outras localidades aprovaram a convenção, que já foi assinada e tem validade até 31 de agosto de 2028. O banco informou que participa de uma mesa geral de negociação da Fenaban e mantém uma mesa específica para tratar de questões próprias dos seus funcionários, buscando consenso em torno do acordo.
O Banco do Brasil afirmou que, para o período de 2026, diversas rodadas de negociação resultaram na proposta aprovada em assembleias por várias regiões do país. A convenção abrange cerca de 414 mil bancários de aproximadamente 3,6 mil municípios, incluindo 171 instituições financeiras, e prevê reajustes salariais, aumento na PLR, benefícios e medidas relacionadas à saúde mental, combate ao assédio e transparência no monitoramento digital dos empregados.
Durante o movimento de greve, tanto a Caixa quanto o Banco do Brasil orientaram seus clientes a utilizarem canais digitais e serviços de autoatendimento, como aplicativos, internet banking, caixas eletrônicos, redes de correspondentes bancários e casas lotéricas. A Caixa disponibiliza ainda atendimento telefônico por meio dos números 4004-0104 (capitais e regiões metropolitanas) e 0800-104-0104 (demais localidades). O Banco do Brasil informa que seus canais de atendimento permanecem operantes, incluindo o aplicativo, internet banking, WhatsApp e centrais de relacionamento.
A paralisação das agências, contudo, não suspende automaticamente o pagamento de benefícios, uma vez que muitos serviços podem ser realizados por canais eletrônicos. Serviços presenciais que dependam de atendimento nas unidades podem ser impactados, dependendo do grau de adesão dos funcionários à greve.