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Preços do petróleo ultrapassam US$ 100 pela primeira vez desde julho devido a tensões no Oriente Médio

•18 de maio de 2026. REUTERS

Os preços do petróleo fecharam nesta quarta-feira, dia 9, acima de US$ 100 por barril, marcando o primeiro fechamento nesse patamar desde julho. A valorização reflete o aprofundamento das tensões na região do Oriente Médio, impulsionado por confrontos entre forças americanas e iranianas, além de ataques de grupos apoiados pelo Irã contra instalações de energia na Arábia Saudita. Esses fatores elevaram as preocupações quanto à estabilidade do abastecimento global de petróleo, alimentando temores de inflação e custos de energia mais elevados para consumidores e empresas ao redor do mundo.

O petróleo do tipo Brent, considerado a referência internacional para o mercado de petróleo, encerrou o pregão com cotação de US$ 101,21, uma alta de 3,36% em relação ao valor de abertura. Desde o início de março, o Brent já acumulou uma valorização de aproximadamente 25%, refletindo a deterioração das perspectivas de uma resolução definitiva para o conflito entre Estados Unidos e Irã, que já dura cerca de seis meses. A escalada recente dos preços também foi acelerada por ataques realizados pelos houthis, grupo apoiado pelo Irã, contra instalações de energia na Arábia Saudita, que resultaram em incêndios e danos às infraestruturas petrolíferas do país. Esses incidentes aumentaram o risco de que interrupções na produção se espalhem por toda a região do Golfo Pérsico, agravando a instabilidade no mercado de petróleo.

A superação da marca de US$ 100 por barril indica uma crescente vulnerabilidade do mercado global de energia, que já vinha enfrentando dificuldades devido a meses de redução na oferta. Essas dificuldades tiveram origem em interrupções nas exportações pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de passagem do petróleo mundial, além do esgotamento de estoques estratégicos. Segundo analistas, essa situação tem gerado uma percepção de que a oferta não consegue acompanhar a demanda, o que pressiona os preços para cima. Tamas Varga, da corretora de petróleo PVM, afirmou que os investidores estão respondendo de forma clara às tensões no Oriente Médio, demonstrando que, enquanto o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz não for restabelecido sem interrupções, os preços continuarão a refletir uma oferta insuficiente.

Embora os contratos futuros do Brent ainda não tenham atingido o pico de US$ 126, registrado no início do conflito, a manutenção de preços acima de US$ 100 por um período prolongado pode ter efeitos significativos na economia global. Entre eles, estão o aumento nos custos de transporte e de produção, além do risco de reativar temores de inflação mais elevada. Essas pressões podem levar a uma manutenção de taxas de juros elevadas por mais tempo, impactando diversos setores econômicos e dificultando a recuperação de mercados que já enfrentam incertezas devido às tensões geopolíticas na região.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade