Os principais índices de Wall Street encerraram o pregão desta terça-feira (25) em alta, impulsionados pela recuperação das ações do setor de tecnologia e pelo alívio proporcionado pela queda nos preços do petróleo e nos rendimentos dos títulos públicos. Os investidores demonstraram maior confiança diante da diminuição dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos de longo prazo, após uma semana marcada por forte volatilidade e preocupações com o mercado de títulos e a inflação.
O movimento de alta ocorre em um momento de expectativa em relação aos resultados trimestrais da Nvidia, cuja divulgação está prevista para quarta-feira. Analistas e investidores aguardam sinais de desaceleração no crescimento da gigante de inteligência artificial, o que poderia reacender dúvidas sobre as avaliações elevadas do setor e a sustentabilidade do atual ciclo de expansão impulsionado pela IA. A expectativa é que o desempenho da Nvidia sirva como um termômetro para o mercado de tecnologia e para o mercado acionário como um todo.
No âmbito dos indicadores econômicos, os rendimentos dos títulos do Tesouro de longo prazo caíram na terça-feira, acompanhando a redução nos preços do petróleo, que atingiram o menor valor em uma semana. Essa movimentação também foi influenciada pela decisão do secretário do Tesouro, Scott Bessent, de ampliar o programa de recompra de títulos, estratégia que busca sustentar o mercado de dívida pública. Segundo Joe Quinlan, chefe de estratégia de mercado do Merrill Lynch e do Bank of America Private Bank, o cenário atual apresenta forte pressão em diversos setores, incluindo o mercado de títulos, a geopolítica e o setor de petróleo. No entanto, Quinlan expressou otimismo quanto às perspectivas econômicas dos próximos 12 a 18 meses nos Estados Unidos, o que reforça uma visão positiva para os mercados financeiros.
No mercado acionário, o índice Dow Jones Industrial Average avançou 160,24 pontos, ou 0,30%, fechando em 53.577,40 pontos. O S&P 500 subiu 24,38 pontos, ou 0,32%, encerrando o dia aos 7.677,24 pontos. Já o Nasdaq Composite teve alta de 171,11 pontos, ou 0,66%, fechando em 26.151,30 pontos. A maior parte das megacaps encerrou o dia em alta, destacando-se Nvidia, que subiu 2,2%, e Meta, que avançou quase 2%. A fabricante de chips Micron registrou alta de 2,5%, contribuindo para a recuperação do índice de semicondutores (.SOX), que encerrou o dia com ganho de 1,4%, após uma queda de 2,7% na segunda-feira.
Entre as ações específicas, a AMD teve uma valorização de 4,9%, após a elevação da recomendação por parte da Raymond James. A Moderna também apresentou desempenho positivo, com alta de 14%, após o Barclays aumentar seu preço-alvo, motivado pelos resultados positivos de testes de sua vacina contra câncer de pele, desenvolvida em parceria com a Merck. Por outro lado, ações de empresas de varejo sofreram perdas significativas: Dick’s Sporting Goods despencou 30,7% após reduzir suas previsões anuais, enquanto Nike também registrou queda. A Target teve uma redução de 3,8%, após a varejista se desculpar e retirar de circulação uma fantasia de Halloween criticada por evocar blackface, reacendendo preocupações sobre os deslizes de marca em um momento de tentativa de recuperação financeira.
Na agenda econômica, o relatório de Despesas de Consumo Pessoal, previsto para ser divulgado na quarta-feira, deve oferecer maior clareza sobre as pressões inflacionárias, especialmente após a inflação ao consumidor ter ficado em linha com as expectativas neste mês, o que reduziu as apostas de aumento imediato na taxa de juros pelo Federal Reserve. Uma pesquisa divulgada nesta terça-feira indicou que a confiança do consumidor nos EUA caiu ao menor nível em sete meses em agosto, refletindo possíveis sinais de desaquecimento na atividade econômica.
Apesar disso, os participantes do mercado monetário continuam a prever um aumento de 25 pontos-base na taxa de juros até o final do ano, de acordo com dados da London Stock Exchange Group (LSEG). Nesse cenário, o mercado aguarda o discurso do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, programado para sexta-feira em Jackson Hole, Wyoming, na esperança de obter pistas sobre a postura do banco central em relação à política monetária.
Nas operações da Bolsa de Nova York (NYSE), o volume negociado atingiu 14,32 bilhões de ações, abaixo da média de 16,4 bilhões registrada nas últimas 20 sessões. A proporção de ações em alta superou a de ações em baixa em 1,71 para 1, tanto na NYSE quanto na Nasdaq, que registrou 3.059 ações em alta contra 1.740 em baixa. Além disso, o índice S&P 500 marcou 11 novas máximas de 52 semanas e quatro mínimas, enquanto o Nasdaq Composite atingiu 105 novas máximas e 85 mínimas, refletindo um ambiente de otimismo moderado, mesmo diante de sinais de cautela no mercado.