O governo dos Estados Unidos anunciou na terça-feira, dia 8 de setembro, que seis empresas chinesas de inteligência artificial (IA) estão envolvidas em atividades de roubo de propriedade intelectual de laboratórios americanos especializados em IA. A acusação, divulgada por autoridades policiais e de inteligência dos EUA, aponta que essas companhias utilizaram uma técnica conhecida como destilação para copiar modelos de IA desenvolvidos por empresas e instituições norte-americanas, com o objetivo de acelerar o treinamento de seus próprios sistemas de IA, muitas vezes com o provável conhecimento do governo chinês. A destilação é uma metodologia que consiste em treinar modelos menores de IA a partir de saídas de modelos maiores e mais caros, uma prática que, segundo os EUA, foi empregada de forma agressiva e maliciosa por empresas chinesas para obter vantagens competitivas e estratégicas.
As empresas chinesas citadas na acusação incluem DeepSeek, Moonshot AI e Alibaba, que teriam utilizado variantes de modelos de IA desenvolvidos por gigantes como Anthropic, OpenAI, Google e SpaceX. Essas ações, de acordo com as autoridades americanas, visaram não apenas reduzir custos de pesquisa e desenvolvimento, mas também aprimorar capacidades militares e de ciberataque, o que pode representar uma ameaça à segurança nacional dos EUA e de seus aliados. As alegações reforçam a narrativa de que a China estaria engajada em uma estratégia de transferência de tecnologia por meios ilícitos, potencializando suas capacidades de defesa e inteligência artificial.
A denúncia ocorre em um momento delicado nas relações bilaterais, pouco antes de uma reunião de alto nível prevista para este mês entre os líderes das duas maiores economias globais. O encontro, que visa discutir questões comerciais, de segurança e tecnologia, pode ser impactado por esse episódio, que aumenta a tensão entre Washington e Pequim. Os EUA também relataram que, em abril passado, fizeram acusações semelhantes antes de uma visita do então presidente Donald Trump à China, indicando um padrão de ações americanas de alerta e pressão.
Em resposta às acusações, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, afirmou na quarta-feira que os avanços do país em IA decorrem de uma busca por autossuficiência científica e tecnológica. Mao pediu que os EUA cumpram o entendimento de que ambos os países devem fortalecer a cooperação, ao invés de promover acusações infundadas e difamações. Segundo ele, a China busca alcançar um alto nível de autonomia em inovação tecnológica, e espera que os Estados Unidos respeitem esse esforço.
As alegações americanas também destacam que a prática de destilação, além de reduzir custos de pesquisa, pode ser utilizada para aprimorar capacidades militares e de cibersegurança, o que, na visão de Washington, representa uma ameaça à sua segurança e à de seus aliados. A Reuters reportou, em 31 de julho, que pesquisadores militares chineses já teriam utilizado resultados de modelos de IA desenvolvidos nos EUA para treinar sistemas de defesa nacionais, reforçando a preocupação dos Estados Unidos com a transferência ilícita de tecnologia.
Esse episódio evidencia o acirramento das tensões entre as duas maiores economias do mundo no campo da tecnologia e da segurança, enquanto os governos se preparam para dialogar sobre os riscos associados à inteligência artificial em uma reunião prevista para meados de setembro, buscando equilibrar cooperação e proteção de interesses estratégicos.