O governo do Reino Unido multou o Citibank em 4,7 milhões de libras esterlinas (equivalente a aproximadamente US$ 6,35 milhões) nesta quarta-feira, dia 2 de novembro de 2023, devido a falhas na observância do regime de sanções financeiras impostas contra a Rússia. A penalidade foi fundamentada em alegações de que a filial londrina do banco americano permitiu a realização de diversas transações que violaram as restrições impostas pelo governo britânico, resultando na disponibilização de fundos a indivíduos e entidades sancionadas.
A Office of Financial Sanctions Implementation (OFSI), órgão regulador do Reino Unido responsável por fiscalizar o cumprimento das sanções, afirmou que o Citibank permitiu múltiplas operações irregulares, a maioria ocorrida entre fevereiro e novembro de 2022. Esse período coincide com a intensificação das sanções internacionais contra a Rússia, adotadas pelos países ocidentais em resposta à invasão da Ucrânia, ocorrida em fevereiro de 2022. Essas medidas envolveram a inclusão de milhares de indivíduos, empresas e embarcações na lista de sanções, com o objetivo de pressionar economicamente Moscou.
Segundo o OFSI, a maior parte das violações foi revelada após a própria instituição financeira divulgar, de forma voluntária, as irregularidades detectadas. A entidade reguladora destacou que o banco permitiu a realização de 970 pagamentos, totalizando cerca de 19,7 milhões de libras esterlinas, que infringiram o regime de sanções. Entre esses pagamentos, estavam operações destinadas a contas de entidades estatais russas, como a empresa de navegação PJSC Sovcomflot, além de transações envolvendo bancos russos sancionados, incluindo Alfa-Bank, PJSC Gazprombank e Credit Bank of Moscow.
Em nota oficial, o OFSI ressaltou que, embora não haja evidências de intenção deliberada por parte do Citibank Londres de violar as sanções, os erros e falhas na sua implementação foram considerados materiais e de grande relevância. Essas falhas ocorreram em diferentes áreas de negócios e sistemas internos do banco, especialmente durante o período imediatamente após a implementação das sanções, o que gerou uma pressão significativa sobre os processos de análise de alertas e investigações internas.
O banco Citi, por sua vez, confirmou sua cooperação durante toda a investigação conduzida pelo regulador britânico. Em comunicado divulgado nesta quarta-feira, a instituição afirmou que tem investido de forma contínua na melhoria de sua estrutura de conformidade com as sanções internacionais. O porta-voz do banco destacou o compromisso de trabalhar de forma estreita com as autoridades regulatórias e de apoiar seus clientes em um ambiente de controle interno robusto e eficaz.
Além da multa, o Citibank anunciou, em agosto de 2022, que reduziria sua exposição à Rússia. Como parte dessa estratégia, o conselho de administração aprovou, ao final de 2023, a venda de sua unidade russa, o AO Citibank, para o Renaissance Capital, banco de investimentos local. A operação visa diminuir a presença do banco americano no país, em consonância com as sanções internacionais e a estratégia de reestruturação de seus ativos na região.