O coordenador da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, José Sergio Gabrielli, reiterou sua posição favorável à ampliação da tributação sobre os indivíduos de alta renda, conhecidos como super-ricos. Gabrielli, que além de atuar na coordenação da campanha é economista e ex-presidente da Petrobras, declarou à Folha de S. Paulo que a estratégia do grupo político inclui a proposta de elevar a alíquota do imposto de renda para as faixas mais altas durante o próximo mandato presidencial.
Esta não é a primeira manifestação pública de Gabrielli em defesa de uma maior taxação dos mais ricos. Em um documento de sete páginas divulgado em 7 de agosto deste ano, o economista criticou a regressividade do sistema tributário brasileiro, defendendo que é possível alcançar maior equilíbrio na arrecadação sem aumentar a carga tributária global, mas tornando o sistema mais progressivo. Segundo ele, aumentar a tributação sobre os super-ricos, ao mesmo tempo em que se promove a desoneração do consumo e da produção, é uma medida essencial para financiar um estado de bem-estar social de forma mais justa, especialmente considerando que esses contribuintes representam o topo da pirâmide dos rendimentos tributáveis no Brasil.
No seu texto, Gabrielli também criticou a atuação do Banco Central, atribuindo a ele parte do crescimento acelerado da dívida pública brasileira. Ele argumentou que a meta de construir um superávit primário superior a 2% do Produto Interno Bruto (PIB) — recomendação frequentemente defendida por analistas e entidades econômicas — não deve ser aceita como solução única para o problema fiscal. Para ele, a redução do déficit público não pode depender exclusivamente da contenção de despesas e do arrocho fiscal, medidas que, segundo o economista, historicamente penalizam os setores mais vulneráveis da sociedade.
A posição de Gabrielli contrasta com a de grande parte do setor privado e de economistas que defendem uma política de austeridade fiscal mais rígida. Em sua análise, a alta da dívida pública estaria relacionada ao aumento dos juros, uma questão que ele atribui ao comportamento do mercado financeiro e às políticas monetárias adotadas. Durante entrevista à Folha, o coordenador também defendeu a intervenção do Tesouro Nacional no mercado de títulos públicos para estabilizar as taxas de juros a longo prazo. Essa prática já foi adotada em março de 2026, quando o Tesouro realizou uma intervenção histórica de aproximadamente R$ 50 bilhões no mercado de títulos, uma operação que, segundo analistas ouvidos pela CNN Money, costuma ocorrer em momentos de maior estresse econômico e incertezas nos mercados financeiros, especialmente em períodos de aumento dos juros e volatilidade econômica.
A postura de Gabrielli revela uma tentativa de ampliar o debate sobre a política fiscal brasileira, defendendo uma maior progressividade na tributação e uma abordagem mais equilibrada na gestão da dívida pública, em contraposição às medidas de austeridade tradicionais. Sua posição reforça a pauta de uma reforma tributária que privilegie a arrecadação dos mais ricos e uma revisão na política de juros e gastos públicos, temas centrais na discussão sobre o futuro econômico do país.