Criminosos bloquearam ruas do bairro de Cascadura, na Zona Norte do Rio de Janeiro, ao atravessar 18 ônibus em vias públicas nesta quarta-feira, dia 26, em uma ação de retaliação às operações policiais realizadas na região. A iniciativa ocorreu em resposta a uma ação conjunta das forças de segurança que resultou na prisão de quatro suspeitos e na troca de tiros com homens armados, que fugiram para áreas de mata próximas às comunidades do Campinho e do Fubá.
A operação, coordenada pelo 9° Batalhão de Polícia Militar de Rocha Miranda e pelo 18° BPM de Jacarepaguá, teve como objetivo desarticular uma facção criminosa atuante em diversas comunidades da região, incluindo o Morro do 18, Praça Seca, além de outras áreas de Jacarepaguá. Durante a ação, houve confronto armado, e os suspeitos envolvidos na troca de tiros conseguiram escapar, embora um deles tenha sido atingido. Este foi socorrido ao Hospital Estadual Carlos Chagas, enquanto um outro suspeito, que teria sofrido uma parada cardíaca, não resistiu e veio a óbito.
A ação policial resultou na apreensão de diversos materiais ilícitos, incluindo uma pistola, uma granada, um rádio comunicador, seis carregadores de fuzis, um carregador de pistola, além de entorpecentes. Segundo a Secretaria de Estado de Polícia Militar (SEPM), o objetivo principal dos criminosos ao atravessar os ônibus nas ruas era impedir o avanço das equipes de segurança, dificultando a mobilização policial na região.
Como consequência, 33 linhas de transporte coletivo que operam na área tiveram seus itinerários impactados, de acordo com o Sindicato das Empresas de Ônibus da Cidade do Rio de Janeiro (Rio Ônibus). Os veículos foram utilizados para bloquear vias como a Rua Clarimundo de Melo, Ernani Cardoso e a Avenida Dom Hélder Câmara, causando transtornos ao transporte público local.
Para reforçar o patrulhamento, unidades especiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq), do Batalhão Tático de Motociclistas (BTM), do Batalhão de Policiamento em Vias Expressas (BPVE) e do 3º Batalhão de Polícia Militar (Méier) foram acionadas para atuar na região. Além disso, equipes do Comando de Recursos Especiais (Recom) também estão mobilizadas para garantir a segurança na área afetada pelos conflitos.
Apesar da intensidade dos confrontos, a Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro informou que nenhuma escola da rede estadual precisou ser fechada até o momento, e as unidades escolares localizadas nas comunidades do Fubá e do Campinho continuam atendendo presencialmente. No setor de saúde, uma unidade de atenção primária suspendeu suas atividades nesta quarta-feira, devido aos conflitos, e avalia a possibilidade de reabertura nas próximas horas. Outras duas unidades continuam operando normalmente, embora tenham suspendido atividades externas, como visitas domiciliares.
As unidades estaduais de saúde permanecem em funcionamento regular, segundo informações da Secretaria de Estado de Saúde, que monitora a situação na região. A operação policial e os bloqueios nas ruas fazem parte de uma estratégia de combate ao crime organizado na área, buscando desmobilizar a atuação de facções e garantir a segurança pública na Zona Norte do Rio de Janeiro.