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Morre em Salvador o poeta, ativista cultural e jornalista Luis Turiba aos 76 anos

Turiba deixa cinco filhos, seis netos e uma obra ampla, que inclui poesias, crônicas, textos jornalísticos, video-documentários, revistas culturais e parcerias musicais, como a letra da canção Bico da Torre (Wilson Dias/Agência Brasil)

Faleceu nesta quarta-feira, 26 de outubro, em Salvador, o poeta, ativista cultural e jornalista Luis Turiba, aos 76 anos. A morte ocorreu em sua residência, decorrente de complicações graves de saúde. A família do artista ainda não divulgou detalhes sobre o velório e o local do enterro.

Luis Turiba deixa um legado marcado por uma vasta produção artística e cultural, incluindo poesias, crônicas, textos jornalísticos, video-documentários e revistas culturais. Sua trajetória também é reconhecida por parcerias musicais, como a autoria da letra da canção “Bico da Torre”, musicada por Renato Matos e gravada por nomes como Zélia Duncan — então Zélia Cristina — e Célia Porto. Além de suas contribuições artísticas, Turiba era conhecido por seu perfil irreverente e afetuoso, refletido inclusive em seu livro “Luminares” (1983), no qual apresenta um roteiro de velório carregado de ironia e humor.

Nascido no Recife, em 1950, Turiba mudou-se ainda jovem para o Rio de Janeiro, onde se envolveu ativamente no movimento estudantil. Ex-membro do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), sua trajetória foi marcada por perseguições políticas durante o regime militar. Ainda adolescente, foi preso por determinação da Justiça Militar, que o condenou a seis meses de prisão sob acusação de participação em atividades subversivas. Segundo relatos do próprio, ao ser detido, foi submetido a torturas físicas e psicológicas por agentes do antigo Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna (Doi-Codi), órgão de repressão subordinado ao Exército.

Turiba lançou seu primeiro livro de poesia, “Kiprokó”, em 1977, no Rio de Janeiro. Sua carreira jornalística também teve destaque, atuando como repórter em veículos como a revista Manchete, além de jornais de grande circulação, como O Globo e Gazeta Mercantil. Sua atuação como correspondente da Gazeta o levou a Brasília, em 1979, onde conquistou diversos prêmios por suas reportagens, incluindo dois prêmios Esso regionais.

Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça reconheceu oficialmente a perseguição sofrida por Turiba durante a ditadura militar, concedendo-lhe anistia política. A documentação apresentada por ele comprovou que foi monitorado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) até meados da década de 1980, recebendo também um pedido formal de desculpas por parte do Estado brasileiro.

Entre 1985 e 2022, Turiba foi responsável pela edição da revista cultural “Bric-a-Brac” em Brasília. A publicação, criada em um momento de transição política e social no Brasil, destacou-se por sua inovação gráfica e conteúdo, promovendo entrevistas com figuras como Caetano Veloso, Paulinho da Viola, Nise da Silveira e Manoel de Barros. A revista ultrapassou os limites do Distrito Federal, tornando-se uma referência no cenário cultural nacional.

Após atuar como assessor do Ministério da Cultura, Turiba aposentou-se no início dos anos 2010 para dedicar-se integralmente à literatura. Ainda que tenha retornado ao Rio de Janeiro, sua rotina permanecia marcada por deslocamentos entre as capitais fluminense, baiana e Brasília. Amigos preparam uma homenagem neste sábado (29), no bar e restaurante Beirute, tradicional ponto de encontro da boemia de Brasília, onde será realizado um encontro para leitura de seus poemas.

O poeta Nicolas Behr destacou a importância do legado cultural de Turiba, especialmente por sua revista “Bric-a-Brac”, considerada uma das publicações literárias mais inovadoras de sua época, tanto pelo aspecto gráfico quanto pelo conteúdo. Behr também ressaltou a participação do poeta no movimento artístico “Concerto Cabeças”, que, no final dos anos 1970, promovia eventos culturais nas ruas de Brasília, reunindo nomes como Oswaldo Montenegro, Cássia Eller, Renato Matos, Liga Tripa e Mel da Terra.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal lamentou a perda de Turiba, reconhecendo sua contribuição para a imprensa e a cultura locais. A entidade o homenageou como um “ícone inestimável” e “brasiliense por adoção”, reforçando que seu exemplo e suas palavras continuarão a inspirar profissionais do jornalismo e da cultura. A nota também expressou solidariedade aos seus familiares, incluindo filhos, netos e amigos, diante do falecimento do artista.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade